17 de junho de 2012

Gostar de clarabóias.







Porto - Março e Abril de 2012

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Bati um bolo de iogurte - uma daquelas receitas simples, deliciosas e infalíveis, embalada por esta obra-prima, para ser comido domingo fora, por todos, em casa dos avós. Depois, de alma cheia e olhos marejados, ainda amassei um pão integral com aveia e sementes de sésamo e linhaça, um vício saudável que enriquece grande parte dos meus pequenos-almoços. 
Tive a casa só para mim durante um par de horas e consegui adiantar algumas coisas do trabalho intenso que os próximos dias deixam adivinhar. Comi uma sopa de espinafres, fresquíssimos, que me soube pela vida e deixei-me estar deitada em cima da cama durante uma boa meia hora a ouvir música e os meus pensamentos, nem sempre de uma forma síncrona. 

E cheguei, uma vez mais, a uma conclusão nada surpreendente - preciso de tão pouco para ser feliz. Outros dirão que busco o impossível e que a felicidade assim, tão simples, não existe. Será que já se deitaram na terra, numa noite quente do Verão transmontano, a olhar o céu límpido, estrelado e com o luar mais bonito que existe?

28 de maio de 2012

Just the two of us.


Aos domingos à tarde, sempre que o tempo lá fora o permite, deixamos o pessoal, na maior parte das vezes ainda sentados à mesa, e descemos a rua até ao velhinho parque infantil, junto à igreja. A A. prepara cuidadosamente a cesta do piquenique - nunca vi ninguém que goste tanto de fazer piqueniques como esta nossa pequena mascote: meia dúzia de bolachas e outras tantas fatias de broa e regueifa (pão branco, como lhe chama) embrulhadas nuns guardanapos, uma garrafa de plástico com Ice Tea e as canecas plásticas da Tupperware, que já serviram em tantos outros piqueniques e brincadeiras.


Gosto de a ver pôr a mesa, distribuir cuidadosamente os guardanapos e servir o Ice Tea, dizendo tratar-se de vinho. As bolachas são para nós rodelas de chouriço ou fatias de presunto, que acompanhamos com o pão, numa imitação perfeita do mundo dos adultos, que a A. observa de uma forma sempre muito especial.



Estes piqueniques sabem-nos sempre pela vida e são momentos de uma enorme ternura e cumplicidade. Gosto de entrar no imaginário dela, de tentar perceber a forma como a sua cabecinha se vai desenvolvendo, de ver a sua personalidade a ganhar forma, de uma maneira cada vez mais vincada. Fico exausta, a A. tem uma energia que consome a nossa por completo, absorve-nos com perguntas constantes, brincadeiras urgentíssimas e diálogos surreais, mas estes momentos com ela são sempre de uma enorme aprendizagem para mim, também. Sobretudo a valorizar as pequenas coisas, a deixar fluir a imaginação e a ser mais paciente - chego mesmo a tomar doses cavalares de paciência!



Neste último piquenique tivemos dois convidados muito especiais: o Gonçalo, que a A. tentou empanturrar com broa e a Jenny, a grande amiga da A. e mãe do petiz (e ainda hoje não consigo deixar de sorrir ao olhar para a disparidade de escala das criaturas!). São um must estas nossas aventuras ;)

18 de maio de 2012