13 de janeiro de 2011

Quadrilha.

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J.Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

- Carlos Drummond de Andrade -

Sempre tive tanta pena do J.Pinto Fernandes.

A minha cabeça, por estes dias.

12 de janeiro de 2011

When to get off.

The build up
Lasted for days
Lasted for weeks
Lasted too long

Our hero
Withdrew
When there was two
He could not choose one
So there was none

Worn into the vaguely announced
Worn into the vaguely announced

The spinning top
Made a sound
Like a train
Across the valley
Fading
Oh so quiet
But constant 'til it passed
Over the ridge
Into the distances
Written on your ticket
To remind you where to stop
And when to get off

The spinning top
Made a sound
Like a train
Across the valley
Fading
Oh so quiet
But constant 'til it passed
Over the ridge
Into the distances
Written on your ticket
To remind you where to stop
And when to get off

The spinning top
Made a sound
Like a train
Across the valley
Fading
Oh so quiet
But constant 'til it passed
Over the ridge
Into the distances
Written on your ticket
To remind you where to stop
And when to get off
When to get off
When to get off
When to get off



11 de janeiro de 2011

Se escuto, eu te oiço a passada.

A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.

- Fernando Pessoa -

Morreram-me demasiadas pessoas nos últimos tempos. Deixei de as ver, da forma como se vêem os vivos, mas não deixei de sentir a sua presença. Elas continuam a habitar em mim, nas casas, nos objectos deixados, nas memórias e nas histórias recordadas. Continuo a falar sobre elas, numa necessidade permanente de não as transformar em fantasmas ou assuntos tabu.
Todas as noites converso em silêncio com a minha pequenina S., enquanto olho as estrelas florescentes que colei no tecto do meu quarto para a Mary Mary não sentir tanto medo do escuro, sempre que vem dormir comigo. Conversei com as minhas avós enquanto punha a mesa durante a quadra natalícia, numa repetição de gestos que tantas vezes as vi fazer. Sorrio para a F. e sei que ela também me sorri, de cada vez que olho para a J., que está cada dia mais parecida com a mãe. Sinto a M. em tudo o que o T. e a P. dizem e fazem. 
Nas casas dos meus avós, se parar e escutar o silêncio, bem quietinha, sou capaz de sentir todos aqueles que já partiram e que lá viveram ou por lá costumavam andar. Quando a Ji coze pão, quando cozinhamos naquela cozinha, quando se abre um frasco de compota de abóbora e noz, sei que eles conseguem sentir o cheiro que fica a pairar no ar e enche aquelas divisões de um aroma característico e tão familiar. 

Não tenho medo absolutamente nenhum da (minha) morte, mas morro um bocadinho por dentro de cada vez que penso na possibilidade da morte daqueles que amo. Mesmo que eles continuem a viver dentro de mim e que morrer seja apenas não ser visto.

10 de janeiro de 2011