12 de outubro de 2010
11 de outubro de 2010
É isto.
(...) A ordem natural das coisas pode ser muito complexa, pode ter altos e baixos, pode desencadear aversões e até medos infundados, ou não. Limitarmo-nos a seguir o socialmente correcto é simplesmente anularmo-nos como pessoas, como indivíduos únicos com capacidade opinativa, passiveis de erros, imperfeitos, mas quase perfeitos nessa relação positiva com o mundo, com os outros. (...) - lucidamente escrito aqui.
A pele abrigando-nos da tempestade lá fora.
Pensei em mentir, pensei em fingir,
dizer: eu tenho um tipo raro de,
estou à beira,
dizer: eu tenho um tipo raro de,
estou à beira,
embora não aparente. Não aparento?
Providências: outra cor na pele,
a mais pálida; outro fundo para a foto:
Providências: outra cor na pele,
a mais pálida; outro fundo para a foto:
nada; os braços caídos, um mel
pungente entre os dentes.
Quanto à tristeza
pungente entre os dentes.
Quanto à tristeza
que a distância de você me faz,
está perfeita, fica como está: fria,
espantosa, sete dedos
está perfeita, fica como está: fria,
espantosa, sete dedos
em cada mão. Tudo para que seus olhos
vissem, para que seu corpo
se apiedasse do meu e, quem sabe,
vissem, para que seu corpo
se apiedasse do meu e, quem sabe,
sua compaixão, por um instante,
transmutasse em boca, a boca em pele,
a pele abrigando-nos da tempestade lá fora.
transmutasse em boca, a boca em pele,
a pele abrigando-nos da tempestade lá fora.
Daria a isso o nome de felicidade,
e morreria.
Eu tenho um tipo raro.
e morreria.
Eu tenho um tipo raro.
- Eucanaã Ferraz, in Cinemateca -
6 de outubro de 2010
Não consigo deixar de pensar...
... naquelas manhãs de chuva impiedosa de Amesterdão. Nas pessoas que teimosamente insistiam em continuar a andar de bicicleta, munidas de parkas, impermeáveis e todo o tipo de botas e galochas. Num tempo que deveria ser de Verão, manga curta e havaianas, pelo menos para quem cresceu neste cantinho da Europa à beira-mar plantado. Recordo as nossas roupas encharcadas, as mãos frias, a necessidade de uma bebida quente. Aquela manhã enfiadas no Mercado das Flores, observando atentamente cada pormenor, cada cor, comprando presentinhos para os que nos aguardavam no regresso. O ambiente acolhedor daquele cafézinho à beira do mercado, o meu corpo aquecido por um capuccino que me fez voltar ao Inverno passado em Roma. Lembro-me constantemente de tudo isto nestes últimos dias de chuva, vento, frio e temporal, em que as ruas lá fora mais parecem um espelho da minha alma, numa tentativa desesperada para não esquecer o arco-íris gigante que vimos naquela tarde.
Dizem que a seguir à tempestade vem a bonança. Acredito nisso. Da mesma forma que depois daqueles dilúvios matinais, o céu se abriu para nós, deixando o sol dar um ar da sua graça. Agarro-me à imagem daqueles miúdos sorridentes, à chuva, num carrinho de madeira atrelado à bicicleta da mãe e digo a mim mesma que é possível encontrar coisas boas no meio deste temporal constante em que tenho vivido. É apenas uma questão de saber procurar no sítio certo, de dar valor às pequenas coisas, como os tímidos raios de sol no parque, junto ao lago, reconhecer as boas oportunidades e não as deixar fugir, lutar pelo que se quer verdadeiramente e não desistir nunca.
Dizem que a seguir à tempestade vem a bonança. Acredito nisso. Da mesma forma que acredito que há coisas que não mudam nunca. Como o abraço da minha irmã, que faz o tempo parar e me devolve sempre a mim mesma.
| Amesterdão - 2010 |
2 de outubro de 2010
29 de setembro de 2010
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