13 de setembro de 2013

Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar*















Angeiras - Verão 2013

Mas nesta vida ainda hei-de viver num sítio assim, onde o mar é rei, significado de vida e de morte. Hei-de comprar todos os dias peixe fresco no mercado, todas as peixeiras saberão o meu nome e me guardarão o meu peixe preferido. Os legumes, cultivados em terra de areia, virão para a minha cozinha directamente dos agricultores locais. Os meus filhos correrão livres pelas ruas, saltitando entre o jardim de casa e o areal. O meu local de trabalho irá variar consoante as estações do ano, o estado do tempo e a minha disposição - o "escritório" será montado ora na praia, na esplanada com a melhor vista ou no café onde o serviço for mais amistoso e o cimbalino melhor tirado ora na divisão da casa onde melhor me sentir nesse dia. Possuirei menos coisas e cada vez mais livros (mesmo que alojados em geringonças electrónicas). Os dias serão simples. Eu respirarei bem fundo. 


* Sophia de Mello Breyner Andresen

2 comentários:

Helena disse...

Está visto: vais morar para as Marinhas.
:)

(belas fotografias (a das calcinhas está o máximo!), belo poema, e fantástico projecto de vida)

Mar* disse...

Marinhas, "as in" queijinho do bom e manteiga do melhor?! Nunca se sabe, é uma possibilidade ;)

(obrigada (também gosto particularmente dessa!); é isso mesmo, um projecto - muito mais do que apenas um sonho.)