22 de março de 2012

E a agulha do real nas mãos da fantasia.



Continuo a trabalhar no meu escritório com vista para o lago, as magnólias, os patos, os pavões e as gaivotas. Hoje, o trio aqui de cima faz-me companhia ao ouvido e ajuda-me à concentração, que o sol lá fora e o céu azul continuamente desafiam. Tento, com todas as minhas forças, agarrar os dias e fazer das horas minhas aliadas, nesta luta constante por quotidianos mais leves. Faço a minha parte o melhor que sei e posso, em cada momento. Recuso-me a perder a esperança, mesmo quando o desalento me grita ao ouvido e me entra olhos dentro várias vezes ao dia. 

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Em dia de mais uma Greve Geral, que eu respeito muito, mesmo não achando que deva ser esse o caminho a seguir, deixo estas palavras da Helena em jeito de reflexão:

"Esta semana, a turma do meu filho - miúdos pelos quinze anos - teve como trabalho para História escrever duas páginas A4 sobre o centro de informação do memorial do Holocausto em Berlim. Cada aluno tinha de descrever e analisar a informação disponível e a lógica subjacente à exposição, confrontar essa análise com um discurso de um vice-presidente do Parlamento alemão sobre este tema, sugerir o que poderia ser melhorado. Surpreendeu-me: a escola não queria uma descrição da informação disponível, mas uma análise da forma escolhida para passar essas informações, tendo como referência princípios fundamentais da República.
Ao ler a seriedade no trabalho do meu filho, mais uma vez me dei conta de como a construção da Democracia é um trabalho árduo, quotidiano e incansável, para recomeçar sempre e sempre e sempre.  

Benditas escolas, estas, que trabalham para que cada aluno se entenda como alicerce fundamental da Democracia."

2 comentários:

Helena disse...

Obrigada por este concerto - já sei onde vou passar a manhã!

E que surpresa ver aqui as minhas palavras. No teu blogue parecem muito mais ricas que no meu.

Mar* disse...

Este concerto tem-me feito companhia por estes dias, coisa gostosa mesmo.

As tuas palavras são ricas em si mesmas, para mim é um privilégio poder lê-las e partilhá-las.

Tenho discutido muito a questão da importância da educação/instrução na feitura de cidadãos plenos e conscientes. Com uma mãe professora e totalmente insatisfeita com o actual estado do sistema de ensino em Portugal, assisto bem de perto a situações gritantes e preocupantes. Talvez um dia destes consiga escrever sobre isto de uma forma um pouco mais articulada, é um tema que me apaixona.