9 de dezembro de 2008

Como eles crescem,meu Deus!!! (1)


Será sempre o meu menino.


No dia em que nasceu, com apenas algumas horas de vida, agarrou-se ao meu dedo como se disso dependesse a existência de ambos. Para mim foi amor à primeira vista, completamente embebecida debruçada sobre o berço. 
Não, minto! Eu amei-o no dia em que soube que vinha a caminho e anseei-o quase como se de um filho se tratasse.


Há quem diga que tem um feitio demasiado parecido com o meu - infelizmente, acrescentam sempre baixinho. 
Eu percebo-os! Pessoas como nós sofrem de maneira diferente (não diria que sofremos mais, apenas de uma forma mais complexa), somos mais sensíveis, mais complicados, mais exigentes connosco próprios. Contudo, temos o privilégio de ver a vida com outros olhos, quase sempre olhamos para as coisas como se fosse a primeira vez e isso confere-nos uma certa inocência  ao olhar. Inocência, não ingenuidade! 

Percebo nele algumas carecterísticas e gostos que também vejo em mim. Gosto de pensar que tive alguma coisa a ver com isso, como se as horas que passei com ele a ver filmes, todas as brincadeiras que inventei para o entreter, tudo o que lhe disse desde o dia em que o tive no meu colo pela primeira vez o tivessem de alguma forma moldado e influenciado. 

Agora já não tem medo do escuro nem de ver o E.T. . Terá outras coisas que o atormentam e o fazem acordar durante a noite. 
Está crescido, um arrasa-corações de sorriso enigmático que faz as meninas ficarem com o coração aos pulos. 

Tem pinta e jeito de artista, com capacidades para fazer e ser o que quiser nesta vida. Tenho a certeza de que encontrará o seu caminho, sempre! 
Eu cá estarei na primeira fila a vê-lo crescer ainda mais, com os olhos cheios de lágrimas e completamente embebecida e cheia de orgulho, como desde aquele primeiro dia da vida dele, há quase 18 anos.

8 de dezembro de 2008

Na infinita dispersão do meu ser...

Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer

- Mia Couto, in Raiz de Orvalho e Outros Poemas -

Bombom...de Chocolate!


- Maria João & Mário Laginha, in Chocolate -


I've grown accustomed to his face
he almost makes the day begin
I've grown accustomed
to the tune that he whistles night and noon
his smiles, his frowns
his ups, his downs
are second nature to me now
like breathing in and breathing out

I was serenely independent
and content before we met
surely I could always be that way again
and yet, I've grown accustomed to his look
accustomed to his voice
accustomed to his face

I'm so used to hearing him say
'good morning,' every day
his joys, his woes
his highs, his lows
are second nature to me now
like breathing in and breathing out

I'm very grateful he's a man and so easy to forget
rather like a habit one can always break
and yet, I've grown accustomed
to the trace of something in the air

accustomed to his face...

2 de dezembro de 2008

Liberdade...




Aqui nesta praia onde

Não há nenhum vestígio de impureza,

Aqui onde há somente

Ondas tombando ininterruptamente,

Puro espaço e lúcida unidade,

Aqui o tempo apaixonadamente

Encontra a própria liberdade.

- Sophia -

3 de novembro de 2008

Então porque não voas?!

anoite passada - sergio godinho

A noite passada acordei com o teu beijo
descias o Douro e eu fui esperar-te ao Tejo
vinhas numa barca que não vi passar
corri pela margem até à beira do mar
até que te vi num castelo de areia
cantavas "sou gaivota e fui sereia"
ri-me de ti "então porque não voas?"
e então tu olhaste
depois sorriste
abriste a janela e voaste

A noite passada fui passear no mar
a viola irmã cuidou de me arrastar
chegado ao mar alto abriu-se em dois o mundo
olhei para baixo dormias lá no fundo
faltou-me o pé senti que me afundava
por entre as algas teu cabelo boiava
a lua cheia escureceu nas águas
e então falámos
e então dissemos
aqui vivemos muitos anos

A noite passada um paredão ruiu
pela fresta aberta o meu peito fugiu
estavas do outro lado a tricotar janelas
vias-me em segredo ao debruçar-te nelas
cheguei-me a ti disse baixinho "olá",
toquei-te no ombro e a marca ficou lá
o sol inteiro caiu entre os montes
e então olhaste
depois sorriste
disseste "ainda bem que voltaste".

Regresso ao passado...

... numa colectânea com sons do presente!


Magnificamente arranjadas pelo produtor dos Nouvelle Vague, Marc Collins, estas músicas de filmes dos anos 80 fazem as delícias dos mais saudosistas e apresentam-nas às novas gerações de uma forma encantadora.