4 de setembro de 2008
V.I.P.
Havemos de ser outros amanhã...*
"Pelas mãos e pelos olhos eu juro"
são as mãos que me trazem o amor dos homens
e me largam na fronteira de todos os segredos
que repousaram em mim como no breve espaço
de uma lua fugaz
também as tuas mãos haviam de chegar um dia assim
ou pelo menos foi isso que eu pensei quando
o teu corpo tocou ao de leve a sombra das águas
que tinham corrido ao longo das noites da tua ausência
mas às vezes o destino escreve-se
com inesperados visitantes
e o nosso quarto ficou cheio de vozes mas
nenhuma nos reconhecia por dentro das suas
mais absurdas dissonâncias
e foi então que eu soube que a felicidade
era apenas um complemento
muito circunstancial e remoto de lugar onde
em que nenhum passado que nos pertencesse
faria qualquer sentido
apesar de tudo os meus dedos
ainda procuram reter o sôfrego sabor das horas que faltam
para o prometido regresso
das palavras tecidas de fresco entre a penumbra
das nossas pernas
mas houve sempre desígnios imutáveis
eclipes ravinas ou a ácida saliva das marés
ou simplesmente a ferida de quem vinha
em voz baixa reclamar o que lhe fora roubado
e os meus dedos acabavam por recuar
e as palavras com que em tempos
tinhas esperado por mim
cansaram-se
e são hoje nódoas rosadas no meu corpo
como se o meu corpo fosse um mapa
onde o teu corpo deslocou minúsculas bandeiras
em tempo de guerra
- Alice Vieira, in Dois corpos tombando na água -*
2 de setembro de 2008
22 de agosto de 2008
Porque hoje é o teu dia...
Deixo-te uma canção que eu adoro e que acho que também vais gostar (sempre tivemos gostos estranhos bastante semelhantes) e as imagens de um filme que ambas gostamos muito (esta é talvez a minha cena preferida!) e que eu nunca vejo sem pensar em ti...
Para ti, o melhor do Mundo, hoje e sempre*
21 de agosto de 2008
7 de agosto de 2008
O luar enche a terra de miragens...*
Bebido o luar, ébrios de horizontes,Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.
"Os amantes ao luar", Marc Chagall




