14 de fevereiro de 2012
13 de fevereiro de 2012
E não sei quase mais nada.
A minha maneira de amar-te é simples:
aperto-te a mim
como se tivesse um pouco de justiça no coração
e ta pudesse dar com o corpo.
Quando te revolvo os cabelos
algo de lindo nasce das minhas mãos.
E não sei quase mais nada. Aspiro apenas
a estar contigo em paz e a estar em paz
com um dever desconhecido
que às vezes me pesa também no coração.
- Antonio Gamoneda -
7 de fevereiro de 2012
Assim é o amor.
The Beginners é um filme delicioso. Uma melancolia triste e algo atrofiada que se transforma numa ode à vida e ao amor, mas, acima de tudo, à verdade. Ser fiel a si mesmo, ser verdadeiro consigo próprio e conseguir viver serenamente com essa verdade é das coisas mais difíceis que há na vida.
The Beginners
The Descendenst é um filme honesto, sem pedantismos, pretensiosismos ou imposição de qualquer espécie. Encontramos nele algumas questões e valores que ainda regem as sociedades mais conservadoras - a família, acima de tudo, as suas tradições e legados, a fidelidade e a forma como as relações, amorosas e as outras, se constroem. O luto e a capacidade que todos temos de nos regenerarmos e seguir em frente, assim como a aceitação da vida como ela é, com todas as suas imperfeições e obstáculos conferem-lhe um humanismo que nos liga à nossa própria realidade e condição de ser humano mortal.
The Descendents
Ambos os filmes, não sendo alegres, são filmes felizes, esperançosos. Talvez não sejam oscarizáveis, embora já outros piores tenham levado a estatueta e outros muitíssimo superiores não tenham chegado sequer perto dela. Mas estes dois caíram-me no goto e já moram no meu acervo afectivo. Para além disso, Christopher Plummer é um senhor, o escocês continua lindo de morrer, a Mélanie é um charme e o Clooney, não sendo um actor brilhante, é muito mais do que o homem do café e o quebra-corações do serviço de urgências. Quanto às miúdas King, atentai no nome delas, pois acho que ainda vão dar que falar.
1 de fevereiro de 2012
27 de janeiro de 2012
Poema destinado a haver domingo.
Bastam-me as cinco pontas de uma estrela
E a cor dum navio em movimento
E como ave, ficar parada a vê-la
E como flor, qualquer odor no vento.
Basta-me a lua ter aqui deixado
Um luminoso fio de cabelo
Para levar o céu todo enrolado
Na discreta ambição do meu novelo.
Só há espigas a crescer comigo
Numa seara para passear a pé
Esta distância achada pelo trigo
Que me dá só o pão daquilo que é.
Deixem ao dia a cama de um domingo
Para deitar um lírio que lhe sobre.
E a tarde cor-de-rosa de um flamingo
Seja o tecto da casa que me cobre
Baste o que o tempo traz na sua anilha
Como uma rosa traz Abril no seio.
E que o mar dê o fruto duma ilha
Onde o amor por fim tenha recreio.
- Natália Correia -
E a cor dum navio em movimento
E como ave, ficar parada a vê-la
E como flor, qualquer odor no vento.
Basta-me a lua ter aqui deixado
Um luminoso fio de cabelo
Para levar o céu todo enrolado
Na discreta ambição do meu novelo.
Só há espigas a crescer comigo
Numa seara para passear a pé
Esta distância achada pelo trigo
Que me dá só o pão daquilo que é.
Deixem ao dia a cama de um domingo
Para deitar um lírio que lhe sobre.
E a tarde cor-de-rosa de um flamingo
Seja o tecto da casa que me cobre
Baste o que o tempo traz na sua anilha
Como uma rosa traz Abril no seio.
E que o mar dê o fruto duma ilha
Onde o amor por fim tenha recreio.
- Natália Correia -
25 de janeiro de 2012
O peito que parte à voz do trovão.
Quem vai gritar primeiro? Quem?
O grito que afrouxa em desespero
O peito que parte à voz do trovão
Quem vai cuidar do fogo? Quem?
A alma que dança na chama trina
Há queima dos poros, devastação
Quem vai sair de casa?
Quem vai sumir no mundo?
Desatar o nó cego? Ver na escuridão?
Sabotar a injúria? Quem vai curar a cura?
É soro do próprio choro?
Quem vai pedir perdão?
Quem vai gritar primeiro? Quem?
O grito que afrouxa em desespero
O peito que parte à voz do trovão
Quem vai cuidar do fogo? Quem?
A alma que dança na chama trina
Há queima dos poros, devastação
Sonho de mala feita? Quem vai sonhar na espreita?
Quem vai cuidar do outro? Quem vai dizer que não?
Crime de face avulsa, céu na encosta da culpa
Quem justifica o ato? Quem vai lavar as mãos?
Sopro do desalento? Quem se desnuda ao vento?
Quem vai ser indiscreto? Ser divisão do pão?
Quem vai sair do rumo? Quem vai mudar o prumo?
Quem vai ser o primeiro?
Quem vai calar em vão?
24 de janeiro de 2012
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