21 de abril de 2010

Dos piratas...

Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.


Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.


A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.


- Sophia de Mello Breyner -

18 de abril de 2010

Vontade de começar a preparar...

...as malas e partir. 

Preciso tanto de levantar voo outra vez, de ver mundo, falar outras línguas, perder-me em cidades desconhecidas, analisar mapas, traçar itinerários, provar outros sabores, olhar outros horizontes...cada vez mais tenho a certeza de que serei sempre uma cidadã do mundo, antes de qualquer outra coisa, e que a minha alma é nómada, livre e sem amarras. Quando permaneço demasiado tempo num mesmo sítio começo a ficar inquieta. No entanto, sei bem onde estão as minhas raízes e preciso sempre de voltar a casa - mas é uma casa, que sendo porto de abrigo, é também rampa de lançamento para novos voos, uma espécie de porta-aviões em mar alto, onde venho reabastecer-me de afectos, acima de tudo. É o que me permite sempre seguir viagem.

Da eterna condição...

15 de abril de 2010

Do fado triste...*



Nos Estados Unidos, Obama tenta que, ao menos, as empresas do sector financeiro cuja falência foi evitada com dinheiros públicos, não retomem alegremente a prática dos prémios pornográficos aos seus gestores, por terem regressado aos lucros... à custa do sacrifício financeiro dos contribuintes - e que ainda está por pagar. Mas até nisso ele tem encontrado resistências de toda a ordem. Dizem que assim os gestores não se sentem "motivados" - e isso é a alma do capitalismo: gestores motivados = lucros para os accionistas = prosperidade económica. O resto da história já sabemos. - Miguel Sousa Tavares, a ler aqui!


Somos um pequeno e desgraçado país. Não somos pequenos e desgraçados porque sempre fomos; afinal, não somos o Haiti, não somos a Bolívia, não somos a Serra Leoa, não somos o Uganda, não somos a Moldávia, não somos a Guiné; não somos assim porque nos fizeram assim, não fomos colonizados, não descendemos de escravos, não fomos deportados, explorados, invadidos, vencidos. A União Soviética não nos pisou com bota cardada e a Alemanha não nos ocupou. Tivemos um ditador e tivemos a revolução sem sangue e a criação da democracia e dos partidos. Tivemos os fundos europeus e a absorção de um milhão de retornados. Tivemos colónias, ouro, escravos e uma história que não nos envergonha. Temos uma longa e estabelecida nacionalidade. Temos a coragem e o génio de ter escapado a Castela. Temos a miscigenação, a lírica e a épica. Temos as descobertas e a geração de Aviz. Temos uma identidade e uma cultura, temos uma língua falada por milhões. Temos 800 km de praia e sol.

Temos muitas razões para sermos felizes. E não somos. Somos um pequeno, desgraçado e deprimido país que se queixa por tudo e por nada, que se detesta e detesta o sucesso alheio, que aniquila a qualidade e promove a incompetência, que deixou que a administração pública fosse tomada de assalto por parasitas partidários, por gestores imorais e por políticos corruptos ou que fecham os olhos e promovem a corrupção como forma de manutenção do poder. Somos um país sem esperança onde nada avança e nada acontece, como escrevia o poeta Ruy Belo.
- Clara Ferreira Alves, a não perder, aqui!


* Pergunto-me quando se cumprirá Portugal, como desejava Pessoa?! Quando aprenderemos a ser proactivos, sem ficarmos à espera que nos façam a papinha toda e a ponham na mesa? Quando daremos valor a quem realmente o tem e se esforça para vencer e fazer melhor? Quando deixaremos de dizer "vou andando", "cá estou", "é sempre a mesma coisa, a vida não muda" e passaremos a acreditar mais em nós, a ver o copo meio cheio, a lutar por um futuro melhor de forma esperançada e optimista?
Os pessimistas não são mais realistas do que os optimistas, apenas não acreditam que é possível melhorar as coisas e alterar o fado das nossas vidas. Não vivo nem vejo o mundo a cor-de-rosa, mas recuso-me a ver tudo numa escala de cinzentos. Acima de tudo, acredito que melhor é possível, sempre!

14 de abril de 2010

Wish list *


* ando há c'anos para comprar uma bici. Tenho saudades das minhas velhinhas e maltratadas da infância, com cestinho à frente para acondicionar tudo o que me apetecia em cada brincadeira ou passeio. 
Tenho adiado a compra por vários motivos, o principal é porque nunca gosto de nenhuma que normalmente se vê à venda por aí. Até agora. Bastou uma espreitadela aqui, para me apaixonar por completo. Difícil mesmo é escolher o modelo e a cor. Os acessórios também são um must e até têm cestinhos de verga. Vão e confirmem!!!