9 de março de 2009

Spring is coming...

Depois de um Domingo trancada em casa por conta de um mal-estar ainda meio indecifrável e umas dores de cabeça insuportáveis, eis-me de volta à vida. Para me dar as boas vindas, um sol luminoso e um imenso céu azul!

Está um cheirinho a Primavera no ar e tudo parece fluir hoje com uma maior leveza. Já apetece roupas mais frescas e longos passeios a pé pela cidade... foi o que fiz, para ver se recuperava (a já pouca) cor do rosto.

De regresso a casa, descobri que a melhor banda sonoro para temperar o salmão e ir preparando o jantar desta noite, passa, indubitavelmente, pela Alcione e o Zeca Pagodinho, e ainda, pela Ana Carolina a cantar bem alto.

Do melhor, garanto-vos! Brega?! Tô nem aí ;)

Para terminar o dia em beleza, Truffaut na Cinemateca, com a mana :).

5 de março de 2009

Eu querooooooooooooooo!




Quem for ali para os lados de Nova Iorque, mais propriamente para a loja do MoMA, é favor trazer-me esta singela mala com o sugestivo nome de The Dreaming Camera.

A alma caridosa em questão será devidamente recompensada (com abraços e beijinhos, que a crise não permite muito mais)!

Fico à espera... confortavelmente sentada, para não me cansar muito ;)



4 de março de 2009

Águas de Março...


É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato na luz da manhã
São as águas de março (fechando) anunciando o verão
É a promessa de vida no teu coração...


Chove, o vento é ainda gelado e eu já só consigo pensar em dias preguiçosamente longos à beira-mar, com aquele calor que se cola à pele, (me) revigora os sentidos e (me) aquece a alma...

1 de março de 2009

Fora existe o mundo...

Sobre um Poema

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
- a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

- Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
- E o poema faz-se contra o tempo e a carne.

- Herberto Helder -

Rio Capicua

A cidade maravilhosa faz hoje 444 anos.

Parabéns meu Rio!!!





Um dia destes ainda me mudo para lá durante uns tempos ;)


Foto roubada daqui!

27 de fevereiro de 2009

A alma de Frida

"RECORDAÇÃO 

Eu sorrira. Nada mais. Mas a claridade foi em mim, e no fundo 

do meu silêncio. 

Ele seguia-me. Como a minha sombra, irrepreensível e ligeira. 

Na noite soluçou um canto... 

Os índios alongavam-se, sinuosos, pelas ruas da aldeia. 

Seguiam envoltos em coloridos mantos de sarape, a dançar, depois 

de beberem mescal. Uma harpa e um cavaquinho eram a música, e a 

alegria eram as morenas sorridentes. 

Ao fundo, atrás da praça do Zócalo, brilhava o rio. E partia, como 

os minutos da minha vida. 

Ele seguia-me. 

Eu acabei por chorar. Esquecida no átrio da Paróquia, aconchegada 

no meu xaile de algodão, impregnando-o de lágrimas. 


NOTA 

Esta prosa poética foi localizada pelo doutor Luis Mario Schneider na 

página 61 de El Universal Ilustrado de 30 de Novembro de 1922."

 

 

"RECADO PARA ISABEL CAMPOS 

Amigalhaça das minhas entretelas. 

Dize exactamente quando é que pensas vir cá tomar banho, para 

eu te ir buscar. 

Peço-te desculpa por só te mandar hoje as calcinhas, mas aqui a 

dactilógrafa não arranjou tempo para tas ir levar. 

Sabes bem que, tu e eu, somos unha e carne. A tua poderosa amiga 

Frieda 


NOTA 

Isabel Campos (1906-1994) nasceu, tal como Frida, em Coyoacán. Cultivaram 

uma estreita amizade durante três décadas, mas foram-se afastando à 

medida que Frida ia penetrando noutros meios. Este recado sem data foi escrito 

num cartão-de-visita."



Ao ler o que Frida escreveu - em cartas, poemas, recados, telegramas, excertos de diários, fiquei ainda mais apaixonada e intrigada por esta mulher, mexicana, nascida no início do século XX, que se me apresenta cada vez mais autêntica, genuína, original e à frente do seu próprio tempo. Era, sobretudo, uma mulher de afectos.

24 de fevereiro de 2009

Mardi Gras


Casa da Guia, Cascais


Um Carnaval diferente, tranquilo, para agradecer o ano que passou e o facto de estarmos todos juntos, com saúde e bem, dentro do possível.
No próximo ano, se a vida assim o proporcionar, voltaremos ;)

Sempre na melhor companhia que uma mana babada pode ter!

Eu já me perguntei se o tempo poderá realizar meus sonhos e desejos, será que eu já não sei por onde procurar ou todos os caminhos dão no mesmo e o certo é que eu não sei o que virá só posso te pedir que nunca se leve tão a sério nunca se deixe levar, que a vida é parte do mistério, é tanta coisa pra se desvendar 

Por tudo que eu andei e o tanto que faltar, não dá pra se prever nem o futuro, o escuro que se vê quem sabe pode iluminar os corações perdidos sobre o muro e o certo que eu não sei o que virá, só posso te pedir que nunca se leve tão a serio, nunca se deixe levar que a vida, a nossa vida passa e não há tempo pra desperdiçar.