4 de março de 2015

Resumo deste Inverno e um prenúncio de Primavera



- quanto mais vou conhecendo outras famílias mais tenho a certeza de que, afinal, a minha não é assim tão disfuncional;
- as doenças do foro psiquiátrico são ainda um enorme tabu e padecem de grandes preconceitos na nossa sociedade;
- ajudar alguém que tem um fascínio tremendo pela morte - vendo nela não apenas a única solução para todos os problemas mas a melhor, a mais ansiada solução, a agarrar-se à vida, é das coisas mais difíceis que tenho feito; 
- quem sou eu para achar (julgar?) que os problemas de outra pessoa não são suficientemente grandes e dolorosos, ao ponto de a morte parecer ser a única solução, mesmo que essa pessoa tenha (aparentemente) o essencial (e muito mais do que isso, comparativamente) para poder ter uma vida tranquila e feliz?
- o facto de duas pessoas adultas serem incapazes de ter uma conversa civilizada, sobretudo quando têm filhos em comum, é algo que nunca irei conseguir entender;
- a desresponsabilização, o fechar os olhos, o deixar andar - e ainda assim querer que tudo se resolva, como que por artes mágicas;
- o passeio matinal até à escola pode e deve ser um dos pontos altos da vida de qualquer criança; os passarinhos, a fonte no jardim e as gaivotas nos telhados transformam qualquer dia cinzento num dia bem mais luminoso;
- o sol que nos inundou o quarto de luz e calor esta manhã; o gato a dormir no telhado; as árvores a florir; o chilrear dos pássaros; o azul límpido do céu; ela e a galinha de mãos dadas comigo; 
- o campo que avisto da minha janela coberto com um tapete de pequenas flores amarelas;

- o meu sobrinho, cada vez mais pestanudo, enorme, quase a completar a sua primeira volta ao Sol.

10 de fevereiro de 2015

Lorca a duas vozes.

Os rios que eu encontro vão seguindo comigo.*




Water does not resist. Water flows. When you plunge your hand into it, all you feel is a caress. Water is not a solid wall, it will not stop you. But water always goes where it wants to go, and nothing in the end can stand against it. Water is patient. Dripping water wears away a stone. Remember that, my child. Remember you are half water. If you can't go through an obstacle, go around it. Water does.


- Margaret Atwood, in The Penelopiad -

* João Cabral de Melo Neto

7 de janeiro de 2015

Good morning, starshine. The earth says "hello"!




Estou viva. Exausta, porém viva e com imensa vontade de voltar a este pequeno cantinho. 

2014 não foi um ano fácil, como os seus antecessores também já não haviam sido. No entanto, nem tudo foi mau, muito longe disso. Se me pedissem uma palavra, apenas, para resumir o ano que terminou, não hesitaria: Luis. O sobrinho que me fez tia de primeira viagem e que é a criatura mais adorável deste mundo e arredores. É ele que, todos os dias, nos renova as forças para seguirmos em frente, não nos deixando esquecer o que realmente importa - o amor, a verdadeira força que faz girar o mundo. Tudo o resto é conversa. 

É com esta certeza que encaro este novo ano. Venha o que vier, é pelo amor que devemos ir: o amor uns pelos outros, pelos nossos sonhos e paixões, por nós próprios. Mesmo que isto vos pareça o maior cliché de sempre, acreditem, não é.