8 de outubro de 2014

Somatório estival #2
















Jardins do Palácio de Cristal, Porto - Verão de 2014

A chuva dança com o vento junto à minha janela, o país tem várias zonas sob aviso laranja e a meteorologia volta a estar na ordem do dia, não apenas nos serviços noticiosos como nas conversas de café, nos intervalos para cigarro e nas viagens apinhadas nos transportes públicos. 
Cá dentro, procuro arrumar a vida e tento encaixar horários e acertar agendas, como se de um puzzle se tratasse. O Verão já lá vai, as ruas da cidade começam a cheirar a castanhas assadas e os dias notam-se bem mais curtos. Tudo começa a pedir um certo recolhimento, mas a mim ainda me apetece luz, sol e muito ar livre - nem que seja através de fotografias.

7 de outubro de 2014

Come mi manca questa ragazza*


Paris, há demasiado tempo atrás. 

Ela faz-me falta, muita. Todos os dias e das mais diversas formas. Há amizades assim, que sobrevivem à distância, às conversas e às partilhas diárias. Mesmo que só consigamos pouco mais do que um café por ano (os deuses hão-de ser justos e começar a trabalhar a nosso favor nesse aspecto!), a S. é daquelas pessoas para sempre. 
Gosto do carinho que tenho por ela. É daqueles sentimentos bons que nos aquecem a alma. Vibro com as conquistas que vai alcançando, entristeço-me quando sei que as coisas não correm como queria, preocupo-me quando a sinto mais em baixo. Nem sempre sou a melhor das amigas e já lhe falhei muito - a vida não é uma linha recta e eu perco-me demasiado nas curvas, não conseguindo, por vezes, focar-me no que é verdadeiramente importante. Talvez não lhe diga o suficiente o quanto gosto dela, os dias vão-se somando impiedosamente e vamos sendo engolidos por esta montanha-russa constante que é as nossas vidas. No entanto, estou aqui e estarei sempre. De preferência a vê-la sorrir. Aquele sorriso enorme que enche o mundo - e o mundo é dela.

Pequenas coisas que melhoram a (minha) vida.




MpB - Música Portuguesa Brasileira, um documentário de Pierre Aderne.

25 de setembro de 2014

A série do (meu) Verão.



Amo tudo. Vi a primeira temporada ainda durante o Inverno e as novas aventuras da segunda temporada vieram dar um colorido diferente a muitas horas do meu Verão. 

Ri, chorei, chorei a rir e aguardo ansiosamente o que a terceira fornada de episódios nos reservam. 

Se ainda não viram. não sabem o que andam a perder. Corram, pá!

Love them all!

23 de setembro de 2014

Somatório estival #1














Vila do Conde - Verão de 2014

O Verão que ontem terminou não foi um Verão prodigioso, em muitos aspectos, a começar pelo clima. Foram meses algo atípicos, São Pedro falhou-nos em muitos pontos e os meses foram passados na expectativa de dias mais quentes, soalheiros e luminosos.

Paralelamente, a minha vida continuava em suspenso e também eu aguardava dias melhores. Setembro chegou com uma esperança renovada e a possibilidade de um futuro um pouco mais estável, mesmo que a curto prazo - para já. 

No entanto, nem tudo foram dias cinzentos durante esta última época estival. Ficaram muitas lembranças boas e dias felizes. Partilharei aqui alguns desses momentos, aqueles que mais me ajudaram a recarregar baterias, através de pequenos instantes fotográficos. Para recordar ao serão, como diria a minha avó Aninhas. 

Outonando*


Uma lâmina de ar

Atravessando as portas. Um arco,
Uma flecha cravada no Outono. E a canção
Que fala das pessoas. Do rosto e dos lábios das pessoas.
E um velho marinheiro, grave, rangendo o cachimbo como
Uma amarra. À espera do mar. Esperando o silêncio.
É outono. Uma mulher de botas atravessa-me a tristeza
Quando saio para a rua, molhado como um pássaro.
Vêm de muito longe as minhas palavras, quem sabe se
Da minha revolta última. Ou do teu nome que repito.
Hoje há soldados, eléctricos. Uma parede
Cumprimenta o sol. Procura-se viver.
Vive-se, de resto, em todas as ruas, nos bares e nos cinemas.
Há homens e mulheres que compram o jornal e amam-se
Como se, de repente, não houvesse mais nada senão
A imperiosa ordem de (se) amarem.
Há em mim uma ternura desmedida pelas palavras.
Não há palavras que descrevam a loucura, o medo, os sentidos.
Não há um nome para a tua ausência. Há um muro
Que os meus olhos derrubam. Um estranho vinho
Que a minha boca recusa. É outono
A pouco e pouco despem-se as palavras.

- Joaquim Pessoa -



O Outono foi-me uma aprendizagem longa e complicada, assim como aquelas matérias de escola que simplesmente não conseguia apreender e encaixar. O Outono, durante demasiado tempo, não me fazia sentido. Tudo nele me era estranho, adverso e significava o fim dos dias quentes e longos de Verão, a minha estação do ano - e é minha não apenas por ser filha de Agosto, mas, acima de tudo, por respirar infinitamente melhor a partir da Primavera e ser mais eu mesma durante os meses estivais. Sem máscaras ou capas. Como se as camadas infindáveis de roupa que somos obrigados a usar durante a época mais fria do ano me servissem de armadura e me ajudassem a esconder-me um pouco mais do mundo. 

De há uns anos para cá, no entanto, o Outono deixou de ser um sacrifício e passou mesmo a ser uma época ansiada, passadas as primeiras semanas de Setembro. Consigo observar e entender todo o seu esplendor. Aprendi a vivê-lo o melhor possível e a abraçar tudo de bom que tem para nos oferecer. Já não me é tão estranho e desconfortável. Até mesmo os dias graníticos de Inverno me são menos pesados, agora que o frio e sobretudo a falta de luz, me são menos difíceis de suportar. 

O Verão, contudo, fica-me colado à pele e à alma o ano inteiro. Vou revivendo instantes e momentos felizes a cada raio de sol ou quando mergulho bem fundo na minha memória afectiva, a fim de ultrapassar dias mais cinzentos e gelados. Revejo fotografias dos dias estivais e das aventuras, mais ou menos pequenas, que vou coleccionando durante os dias mais longos e leves do ano, para ir recordando sempre que o coração aperta de saudades. Faço flashbacks mentais quando tudo se torna demasiado para a minha pele e os meus ossos aguentarem sem dor e esforço. Fecho os olhos e imagino-me na praia, naquela hora dourada de um fim de tarde quente e com cheiro a maresia, gelados e língua-da-sogra.

*Este post foi agendado para publicação, simbolicamente, às 3h29 desta madrugada, o momento exacto do Equinócio de Outono. Marca o início de uma nova estação e de um novo header aqui no blogue - a pena, por sua vez, vem simbolizar uma nova fase na minha vida, um recomeço que se quer mais leve, mais colorido, bem como um desejo de voar cada vez mais longe.

10 de setembro de 2014

No ciclo eterno das mudáveis coisas*






Porto, Amarante, Lisboa, Angeiras - Verão 2014


Não, é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus.

- Clarice Lispector, in Um sopro de vida -


Regressei, como prometido, com a luz dourada de Setembro. Volto com a esperança renovada, com novidades e uma vontade imensa de sugar a vida até ao tutano. O medo existirá sempre, assim como o meu mar, eterno porto de abrigo e guardião de sonhos. É nele que deposito todas as minhas angústias, com a certeza de receber em troca a calma necessária para seguir em frente. 

Falta-me ainda o meu Reino Maravilhoso, neste Verão que se vai despedindo a cada pôr-do-sol dourado. Se o mar é a minha bússola, Trás-os-Montes é o meu astrolábio - ambos são essenciais ao norteamento da minha vida.


*Ricardo Reis