31 de maio de 2014

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Porto - Entre o Homem do Leme e o Castelo do Queijo


Aquele que profanou o mar 
E que traiu o arco azul do tempo 
Falou da sua vitória 

Disse que tinha ultrapassado a lei 
Falou da sua liberdade 
Falou de si próprio como dum Messias 

Porém eu vi no chão suja e calcada 
A transparente anémona dos dias. 

A anémona dos dias, de Sophia de Mello Breyner Andresen

23 de maio de 2014

As minhas sombras.



Fellini, se fosse vivo, teria pano para mangas, caso resolvesse pegar na minha pessoa como inspiração. Jung, então, já nem se fala.

21 de maio de 2014

Num dia de chuva.



Eu só queria despir-nos
Como se tira habilmente
A seda aos pêssegos
E nus adormecermos
Sem saber quem somos
Sem jogos aos ombros
Que vêm de pequenos
Pelo faro pelos poros
Pelo sono dos cabelos
Pelo estalinho dos dedos
Eu só queria deixar-nos
Como o sol a bater
Na cal dos muros
E nus adormecermos
Sem contar os beijos
Sem dizer piropos
Como o cio dos frutos
Como a pele dos bichos
Como o íman dos olhos
Dos velhos sentados

- Ao sol, de Joaquim Castro Caldas -