Que venha o sol o vinho as flores
Marés canções todas as cores
Guerras esquecidas por amores;
Que venham já trazendo abraços
Vistam sorrisos de palhaços
Esqueçam tristezas e cansaços;
Que tragam todos os festejos
E ninguém se esqueça de beijos
Que tragam prendas de alegria
E a festa dure até ser dia;
Que não se privem nas despesas
Afastem todas as tristezas
Pão vinho e rosas sobre as mesas;
Que tragam cobertores ou mantas
O vinho escorra pelas gargantas
E a festa dure até às tantas;
Que venham todos de vontade
Sem se lembrarem de saudade
Venham os novos e os velhos
Mas que nenhum me dê conselhos!
- A Festa da vida -
Há noites que vale a pena virar (quase) em claro.
29 de abril de 2014
28 de abril de 2014
16 de abril de 2014
14 de abril de 2014
...
The moment when, after many years
of hard work and a long voyage
you stand in the centre of your room,
house, half-acre, square mile, island, country,
knowing at last how you got there,
and say, I own this,
is the same moment when the trees unloose
their soft arms from around you,
the birds take back their language,
the cliffs fissure and collapse,
the air moves back from you like a wave
and you can't breathe.
of hard work and a long voyage
you stand in the centre of your room,
house, half-acre, square mile, island, country,
knowing at last how you got there,
and say, I own this,
is the same moment when the trees unloose
their soft arms from around you,
the birds take back their language,
the cliffs fissure and collapse,
the air moves back from you like a wave
and you can't breathe.
No, they whisper. You own nothing.
You were a visitor, time after time
climbing the hill, planting the flag, proclaiming.
We never belonged to you.
You never found us.
It was always the other way round.
You were a visitor, time after time
climbing the hill, planting the flag, proclaiming.
We never belonged to you.
You never found us.
It was always the other way round.
- The moment, Margaret Atwood -
11 de abril de 2014
9 de abril de 2014
Contra o Portugal do apoucamento.
Não sou crente, portanto acho que depende de nós mais do que irmos
indo, sempre acima das nossas possibilidades para o tecto ficar mais alto em
vez de mais baixo. Para claustrofobia já nos basta estarmos vivos, sermos seres
para a morte, que somos, que somos.
Um
enorme, belíssimo texto de Alexandra Lucas Coelho. Para ler do início ao fim, aqui.
8 de abril de 2014
Damn you, Richard Curtis!
Estava a contar com um filme levezinho, uma comédia romântica que me ajudasse a ultrapassar a madrugada e a passar uma rasteira à insónia, não estava à espera de chorar baba e ranho durante não sei quanto tempo após os créditos finais, para depois ficar com um sorriso aparvalhado durante o resto da noite. É claro que deitei as culpas para o descontrole hormonal e para o facto de ter acabado de ter um sobrinho. Damn!
6 de abril de 2014
Do Facebook.
Não, não venho falar das declarações da Jonet, que de tão ridículas nem (me) merecem qualquer comentário. Venho antes deixar-vos estas duas pérolas, tão diferentes entre elas, mas tão próximas ao meu coração, postadas por uma amiga e por um amigo de uma amiga no Facebook. Gosto destes vasos comunicantes que permitem o diálogo saudável, que nos informam e nos enriquecem desta forma tão genuína e despretensiosa. Como em tudo na vida é uma questão de bom senso e, se há muito lixo nas redes sociais, também há muita coisa boa a acontecer.
A minha Primavera.
Querido Luis,
Chegaste a seguir à trovoada e ao dilúvio que se fez sentir naquela madrugada fria de final de Março. Acompanhaste a mudança da hora e tornaste os nossos dias não apenas mais longos,como também infinitamente mais luminosos. És a Primavera em nós, o renascer tão esperado.
Os teus pais safaram-se bem: és lindo de morrer, uma ternura de tão doce, um pachá durante o dia e um noctívago, como esta tua tia-madrinha - a tua avó Ana diz que também tens a cabecita igual à que eu tinha quando nasci e se ela o diz nós temos que acreditar. Percebo que sintas o apelo e a magia da noite, o abraço do seu silêncio majestoso, mas tu vê lá se me trocas esses sonos rapidamente senão os teus pais não aguentam o ritmo. Terás tempo para apreciar esse lento círculo azul do tempo de que fala Sophia.
Quero dar-te o mundo, ensinar-te a olhar as estrelas, a respirar fundo quando se começa a subir o Marão, para melhor sentires o cheiro da terra que te corre no sangue e que espero venhas a amar tanto como eu. Quero mostrar-te a maravilha das coisas simples: um mergulho no mar, o cheiro a maresia na pele depois de um longo dia de praia, uma Joaninha na pétala de uma flor na Primavera, uma canção bonita, um arco-íris depois do sol beijar a chuva, uma fatia de pão com manteiga, acabadinho de sair do forno. Quero que saibas que um abraço apertado cura quase todos os males do mundo; que há poucas coisas tão boas como uma boa conversa em redor de uma mesa de amigos e que não há mal absolutamente nenhum em estar triste de vez em quando; que chorar é permitido e que um sorriso sincero é uma das melhores armas que existe.
Gostava que crescesses com a certeza de que és amado e de que precisamos uns dos outros para sermos verdadeiramente felizes - irás certamente ouvir algures que nenhum Homem é uma ilha, acredita nisso. Gostava que aprendesses a respeitar-te a ti mesmo em primeiro lugar, para depois melhor poderes respeitar todos os outros. Sê generoso, solidário, atencioso e afectuoso com os demais. Acredita em ti e nas tuas capacidades e nunca deixes que ninguém te impeça de sonhar. Faz com que palavras como honestidade e lealdade tenham um significado profundo na tua vida. Valoriza as amizades, as verdadeiras, e rodeia-te de pessoas que mereçam a pena e que te obriguem constantemente a ser uma pessoa melhor. Lê muito, tudo o que te aparecer à frente no início, rapidamente saberás distinguir o trigo do joio. Pensa pela tua própria cabeça e nunca queiras ser apenas mais um no rebanho. Abraça a tua originalidade, luta por ela. Viaja sempre que puderes e faz das viagens parte da tua educação e instrução, nada te fará mais rico e, se eu te der bem a benção, nada te dará mais prazer, também. Olha sempre o Outro nos olhos, seja ele quem for. Acredita na bondade das pessoas, verás que a grande maioria é, de facto, gente boa. Aprende a cozinhar, a fazer a cama, a passar a tua roupa a ferro e a arrumar a casa - não deixes que façam de ti uma pessoa sempre dependente de terceiros, valoriza a tua independência e o teu papel como um todo numa sociedade mais justa e igualitária. Debate-te por causas e valores justos, faz com que essa seja a tua força. Utiliza o poder que eventualmente te for concedido para tornar este mundo um lugar melhor.
Permite-te ser sempre criança e não tenhas medo de brincar, mesmo quando te disserem que já és demasiado crescido para o fazer. Persegue os teus sonhos e vive a vida da forma como achas que deve ser vivida, não te deixes prender a expectativas alheias e não vivas a vida que outros planearam para ti. Sobe às árvores, toma banhos de mangueira, come fruta quente colhida por ti, esfola joelhos e suja as mãos de terra. Faz castelos de areia e guisados de lama e folhas. Canta na banheira e sempre que te apetecer. Conduz de vidros abertos numa tarde quente de Verão, grita bem alto no cimo de uma montanha-russa e nunca tenhas medo de arriscar, estando sempre bem ciente dos teus limites. Supera-os, sempre que te for possível. Ouve as pessoas com atenção, faz perguntas, mesmo se te parecerem estúpidas. Respeita o espaço dos outros, a sua intimidade e formas de estar na vida. Não tenhas medo nem vergonha de pedir ajuda e está atento às necessidades dos outros, sem te impores - perceberás que quando ajudares alguém, essa ajuda terá sempre que ver com o outro e não contigo; não ofereças ajuda apenas para te sentires melhor, tenta perceber o que a pessoa realmente precisa.
Diz a todos os que amas aquilo que sentes, não tenhas medo de demonstrar o teu afecto e acredita que abraços, beijos e mimos nunca são em quantidade exagerada. No entanto, há um tempo e um espaço para tudo, aprende a conhecê-los e respeita-os. Apaixona-te perdidamente, não tenhas medo de te entregar quando achares que chegou o momento. Respeita todas as pessoas que amares, não as tentes mudar ou moldá-las a teu belo prazer. Escreve cartas de amor, oferece flores e pequenos presentes só porque sim, permite-te ser ridiculamente romântico e profundamente lamechas de vez em quando.
Nunca duvides que o saber não ocupa lugar e procura a verdade, sempre. Aprende os dois lados de cada história, tanto quanto possível. Mantém a tua mente aberta e o teu espírito curioso, não caias em pré-conceitos e ideias feitas. Sê genuinamente curioso em relação aos outros, procura saber o que pensam, como se sentem. Não julgues apressadamente.
Vai ao cinema, ao teatro, a todos os concertos que conseguires. Gosta da Fafá de Belém e de música clássica, como o teu pai, ninguém disse que os gostos de cada um têm que ser homogéneos. Vai ao futebol, assiste a partidas de ténis e a corridas automobilísticas. Joga jogos de tabuleiro e umas cartadas com a família e os amigos. Deixa-te perder pelas ruas das cidades e sobe às montanhas.
Sê tu próprio, sempre. Vive de forma plena, íntegra e inteira. Eu estarei sempre por perto para tudo o que precisares, caminhando ao teu lado, pegando-te ao colo, dando-te a mão e oferecendo-te o meu ombro, o meu tempo, a minha disponibilidade e o meu carinho.
Espero que a vida te sorria e que tu lhe saibas sorrir de volta, meu pequeno homenzinho.
Um beijo enorme desta tua tia-madrinha que te ama tanto, tanto.
5 de abril de 2014
See you soon, London.
Kensington Gardens
Hyde Park
Regent's Park
A viagem a Londres, inesperada e feita um pouco em cima do joelho, acabou por acontecer no momento certo da minha vida e foi o empurrão ou o click final que tanto me fazia falta para ter a coragem de tocar a minha vida para a frente da forma como verdadeiramente a quero viver - sem medos, sem receio de estar a defraudar expectativas alheias, sem dúvidas ou "e se?!".
Aqueles quatro dias foram, assim, o começo de uma outra viagem, desta vez mais longa, mais leve e mais cheia de significado que, se tudo correr como planeado, ocorrerá em 2016. Não será apenas a viagem da minha vida, mas o início de uma forma de vida, aquela por que anseio há já tanto tempo. Não deixa de ser engraçado que todas as peças se tenham finalmente encaixado enquanto calcurreava as ruas e os parques londrinos - acho que precisava vivenciar todo aquele mundo de possibilidades, o melting pot constante que Londres oferece, toda aquela energia tão diferente da que eu tenho vivido, para tudo fazer sentido dentro de mim e todas as perguntas começarem a encontrar uma resposta concreta e válida. É por aqui que quero ir e é por aqui que eu vou, não importa a vida idealizada que os demais têm para mim.
Aqueles dias foram também de descompressão, de uma necessidade constante de ar "puro", de uma vontade imensa de andar sem um destino rigidamente traçado, de vaguear pela cidade ao nosso ritmo e ao sabor do que nos apetecia a cada instante. Vivemos o aqui e o agora como há muito não o fazia(mos). Perdemo-nos por ruas e ruelas, mercados de rua e feiras natalícias, mas também nos permitimos passear pelos imensos parques que fazem Londres respirar - parques majestosos, muito bem cuidados, ali, abertos para quem os quiser usufruir. Famílias inteiras em passeio, pessoas sozinhas ou em grupo a exercitarem o corpo, crianças a andar a cavalo, turistas a tentar fotografar esquilos, casais a namorar em bancos de madeira, apesar do frio e da chuva iminente.
Nós aproveitamos um pouco disso tudo, também: fizemos longas caminhadas inspirando a lufada de ar fresco; fotografamos esquilos, patos, cisnes, pássaros, árvores, canteiros de rosas, coretos e folhas ao vento; sentámo-nos nos bancos de madeira a recarregar energias; fugimos da chuva; andámos à procura do Peter Pan e ele concedeu-me uma das fotografias mais cómicas do nosso repertório de viagem; conversámos muito e eu fui alinhando pensamentos e ideias, regressando a uma paz de espírito que julgava perdida para sempre.
Encheu-me o coração saber que a Pequenina escolheu passar grande parte do tempo que esteve sozinha no dia da minha entrevista a fotografar o Regent's Park, que eu já não tive oportunidade de visitar desta vez. Poderia ter escolhido qualquer outra parte da cidade, havia tanto por onde escolher ainda, mas ela sentiu esse chamamento da natureza e, de certa forma, percebeu que aquelas fotografias de pássaros e copas de árvores esvoaçantes me deixariam mais feliz do que qualquer outra coisa e eu gosto tanto destas nossas sintonias. A verdade é que, no meio daquela selva urbana, daquele cosmopolitismo todo, foi naqueles parques que me reencontrei um pouco e tive a certeza que me faltava - ou a coragem para a enfrentar, de que o meu caminho, neste momento e a médio prazo, passa por uma errância leve, simples e descomplexada, por um outro estilo de vida e por um ritmo mais adequados a quem eu sou de verdade - conseguir, finalmente, verbalizar isto enche-me de paz e felicidade e com uma vontade enorme de me fazer à estrada. Em breve, se os deuses me ajudarem e as forças não me falharem para fazer tudo o que precisa ficar feito.
Obrigada, Londres. A forma como nos recebeste permitiu-me olhar-me ao espelho e encarar-me de frente. Estava a precisar desse beliscão. Foi um até já, contamos voltar assim que nos for possível.
Obrigada, minha Pequenina. As restantes palavras para te agradecer tudo e tanto não cabem aqui. We're a pretty darn good team ;)
* Estes pequenos apontamentos sobre Londres era suposto terem sido acabados durante o mês de Março, por nenhum motivo em especial, apenas uma melhor organização de tempo. A vida, no entanto, voltou a atropelar-me os dias, desta feita por uma boa razão: nasceu o meu primeiro sobrinho no último fim-de-semana de Março, o mesmo que eu tinha reservado para escrever este post, entre outras coisas. Além do mais, vou ser a madrinha do pequeno pachá, parece-me um motivo mais do que válido para adiar um pouco os itens da agenda e priorizar o que verdadeiramente importa, ou seja, estrafegá-lo de mimos até mais não!
** Ler relatos assim faz-me ter ainda mais certezas da minha decisão e a sensação de estar a tomar o rumo certo para a minha vida é indiscritível e chega a ser avassaladora, é aquela adrenalina boa que nos faz sentir vivos e que tanta falta me tem feito. Obrigada por me (nos) deixares fazer um pouco parte da tua viagem, minha S. - as saudades que eu tenho de ganhar mundo contigo!
Morreu um pouco da minha infância.
José Wilker, que de tanto me (nos) dar já fazia parte da minha vida. Tantas personagens, tantas histórias. Tantas horas deliciada a vê-lo actuar, a dar vida a personagens que farão para sempre parte do meu imaginário. Horas sem fim em frente à telinha, quase sempre com a avó Aninhas ao meu lado, assistindo a tramas e enredos que contribuíram um tantinho para aquilo que sou hoje, para a visão que tenho do mundo e para a minha paixão pelo Brasil, que vai além do chamamento do sangue, dos antepassados e das origens. Até sempre, Zé, Mundinho, Roque Santeiro, Giovanni Improtta, JK, Coronel Jesuíno. Espero que te recebam em festa!
28 de março de 2014
London 7.
Domingo. Entrámos na Westminster Cathedral a meio de uma missa, o que me deixa sempre sem jeito. Sinto que estou a devassar território que não me pertence. Gosto muito mais de igrejas vazias, é nelas que me sinto mais próxima de uma presença divina, de uma qualquer energia superior a todos nós, seja lá qual for o nome que lhe damos. A minha educação católica deixou-me com mais perguntas do que respostas e, hoje em dia, vivo a (minha) fé de uma forma muito particular - é, sobretudo, fora do espaço físico das igrejas ou outros locais sagrados que encontro sinais da existência dessa energia e respostas para as minhas dúvidas.
Naquela manhã, no entanto, senti-me reconfortada com a voz melodiosa do padre durante a homilia, uma voz serena e segura, com uma alegria cativante, embora discreta. Acendi uma vela, percorremos uma das alas para melhor observarmos o altar central, deixámo-nos estar um pouco encostadas a umas colunas e depois saímos de novo para o frio, com o coração um pouco mais cheio.
Caminhámos a distância entre a catedral católica e abadia protestante, uma caminhada alegre apesar da chuva e do céu cinzento que nos acompanhava desde manhã cedo. Não conseguimos entrar na abadia, devido ao serviço religioso que decorria na altura, o que nos fez questionar as portas abertas da catedral durante a missa, para quem quisesse entrar, mesmo que isso perturbe a cerimónia. Não chegamos a nenhuma conclusão, contudo.
Tirámos a fotografia da praxe (muitas, para ser mais específica) junto à Elizabeth Tower, que alberga o Big Ben - o sino do relógio, que na realidade só se ouve e não se vê por fora (sinto muito se estou a desiludir alguém!). Rapámos um frio insuportável em cima da Westminster Bridge, a bem da busca por uma boa fotografia do palácio, de um lado, e do London Eye, do outro. Juntámo-nos às centenas de turistas que resistiam à chuva e também nos enquadramos com os monumentos, numa série de fotografias para mais tarde recordar.
A par das cenas que fizemos frente ao Buckingham Palace à procura do melhor ângulo para conseguir pôr no mesmo plano o dito cujo, a bandeira esvoaçante e duas palhaças (eu própria e a Pequenina, à vez), aquela manhã foi o nosso momento mais turistinha. Permitirmo-nos isso foi uma das decisões mais acertadas, valeu uns narizes e uns dedos enregelados, mas também muitas gargalhadas.
27 de março de 2014
O Tell Me The Truth About Love.
Some say love's a little boy,
And some say it's a bird,
Some say it makes the world go around,
Some say that's absurd,
And when I asked the man next-door,
Who looked as if he knew,
His wife got very cross indeed,
And said it wouldn't do.
Does it look like a pair of pyjamas,
Or the ham in a temperance hotel?
Does its odour remind one of llamas,
Or has it a comforting smell?
Is it prickly to touch as a hedge is,
Or soft as eiderdown fluff?
Is it sharp or quite smooth at the edges?
O tell me the truth about love.
Our history books refer to it
In cryptic little notes,
It's quite a common topic on
The Transatlantic boats;
I've found the subject mentioned in
Accounts of suicides,
And even seen it scribbled on
The backs of railway guides.
Does it howl like a hungry Alsatian,
Or boom like a military band?
Could one give a first-rate imitation
On a saw or a Steinway Grand?
Is its singing at parties a riot?
Does it only like Classical stuff?
Will it stop when one wants to be quiet?
O tell me the truth about love.
I looked inside the summer-house;
It wasn't over there;
I tried the Thames at Maidenhead,
And Brighton's bracing air.
I don't know what the blackbird sang,
Or what the tulip said;
But it wasn't in the chicken-run,
Or underneath the bed.
Can it pull extraordinary faces?
Is it usually sick on a swing?
Does it spend all its time at the races,
or fiddling with pieces of string?
Has it views of its own about money?
Does it think Patriotism enough?
Are its stories vulgar but funny?
O tell me the truth about love.
When it comes, will it come without warning
Just as I'm picking my nose?
Will it knock on my door in the morning,
Or tread in the bus on my toes?
Will it come like a change in the weather?
Will its greeting be courteous or rough?
Will it alter my life altogether?
O tell me the truth about love.
And some say it's a bird,
Some say it makes the world go around,
Some say that's absurd,
And when I asked the man next-door,
Who looked as if he knew,
His wife got very cross indeed,
And said it wouldn't do.
Does it look like a pair of pyjamas,
Or the ham in a temperance hotel?
Does its odour remind one of llamas,
Or has it a comforting smell?
Is it prickly to touch as a hedge is,
Or soft as eiderdown fluff?
Is it sharp or quite smooth at the edges?
O tell me the truth about love.
Our history books refer to it
In cryptic little notes,
It's quite a common topic on
The Transatlantic boats;
I've found the subject mentioned in
Accounts of suicides,
And even seen it scribbled on
The backs of railway guides.
Does it howl like a hungry Alsatian,
Or boom like a military band?
Could one give a first-rate imitation
On a saw or a Steinway Grand?
Is its singing at parties a riot?
Does it only like Classical stuff?
Will it stop when one wants to be quiet?
O tell me the truth about love.
I looked inside the summer-house;
It wasn't over there;
I tried the Thames at Maidenhead,
And Brighton's bracing air.
I don't know what the blackbird sang,
Or what the tulip said;
But it wasn't in the chicken-run,
Or underneath the bed.
Can it pull extraordinary faces?
Is it usually sick on a swing?
Does it spend all its time at the races,
or fiddling with pieces of string?
Has it views of its own about money?
Does it think Patriotism enough?
Are its stories vulgar but funny?
O tell me the truth about love.
When it comes, will it come without warning
Just as I'm picking my nose?
Will it knock on my door in the morning,
Or tread in the bus on my toes?
Will it come like a change in the weather?
Will its greeting be courteous or rough?
Will it alter my life altogether?
O tell me the truth about love.
- WH Auden -
26 de março de 2014
Porque há cidades que nos abraçam.
Roma - 2010
Há dias em que acordo com a sensação de estar aí. Ouço os comboios a passar atrás da Luigi Ceci e as ambulâncias a subir e a descer desenfreadamente a Circonvallazione Gianicolense. Quase que sinto os passos da vizinha de cima e o rádio sempre a tocar. Depois caio em mim e a nostalgia invade-me a realidade.
Sinto-te a falta mais do que nunca. Sinto falta das tuas ruas, das tuas cores, dos teus cheiros e das tuas gentes. Sinto falta de todos aqueles pormenores que eu fingia serem só meus e em que mais ninguém reparava. Sinto falta de Trastevere, de serpentear o rio a caminho de casa. Sinto falta das tuas praças e da água das tuas fontes, que eu gosto de beber mesmo quando não tenho sede. Sinto falta do teu reboliço e da tua calma. Sinto falta da tua sabedoria eterna. Sinto falta dos teus conselhos sussurrados através de cada pedra, de cada estátua. Sinto falta do teu abraço - tu, que serás para sempre sinónimo de colo. A cada regresso retorno a casa, deixando-te um pouco do meu coração a cada partida.
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