14 de abril de 2014

...

The moment when, after many years
of hard work and a long voyage
you stand in the centre of your room,
house, half-acre, square mile, island, country,
knowing at last how you got there,
and say, I own this,

is the same moment when the trees unloose
their soft arms from around you,
the birds take back their language,
the cliffs fissure and collapse,
the air moves back from you like a wave
and you can't breathe.
No, they whisper. You own nothing.
You were a visitor, time after time
climbing the hill, planting the flag, proclaiming.
We never belonged to you.
You never found us.
It was always the other way round.

- The moment, Margaret Atwood -

Até às vísceras.








♥︎ Porto

É assim o meu amor por ti. Incondicional. Também nas tuas imperfeições. 

9 de abril de 2014

Contra o Portugal do apoucamento.

Não sou crente, portanto acho que depende de nós mais do que irmos indo, sempre acima das nossas possibilidades para o tecto ficar mais alto em vez de mais baixo. Para claustrofobia já nos basta estarmos vivos, sermos seres para a morte, que somos, que somos.

Um enorme, belíssimo texto de Alexandra Lucas Coelho. Para ler do início ao fim, aqui.

8 de abril de 2014

Damn you, Richard Curtis!



Estava a contar com um filme levezinho, uma comédia romântica que me ajudasse a ultrapassar a madrugada e a passar uma rasteira à insónia, não estava à espera de chorar baba e ranho durante não sei quanto tempo após os créditos finais, para depois ficar com um sorriso aparvalhado durante o resto da noite. É claro que deitei as culpas para o descontrole hormonal e para o facto de ter acabado de ter um sobrinho. Damn!

6 de abril de 2014

Do Facebook.



Não, não venho falar das declarações da Jonet, que de tão ridículas nem (me) merecem qualquer comentário. Venho antes deixar-vos estas duas pérolas, tão diferentes entre elas, mas tão próximas ao meu coração, postadas por uma amiga e por um amigo de uma amiga no Facebook. Gosto destes vasos comunicantes que permitem o diálogo saudável, que nos informam e nos enriquecem desta forma tão genuína e despretensiosa. Como em tudo na vida é uma questão de bom senso e, se há muito lixo nas redes sociais, também há muita coisa boa a acontecer.

A minha Primavera.








Querido Luis,

Chegaste a seguir à trovoada e ao dilúvio que se fez sentir naquela madrugada fria de final de Março. Acompanhaste a mudança da hora e tornaste os nossos dias não apenas mais longos,como também infinitamente mais luminosos. És a Primavera em nós, o renascer tão esperado.
Os teus pais safaram-se bem: és lindo de morrer, uma ternura de tão doce, um pachá durante o dia e um noctívago, como esta tua tia-madrinha - a tua avó Ana diz que também tens a cabecita igual à que eu tinha quando nasci e se ela o diz nós temos que acreditar. Percebo que sintas o apelo e a magia da noite, o abraço do seu silêncio majestoso, mas tu vê lá se me trocas esses sonos rapidamente senão os teus pais não aguentam o ritmo. Terás tempo para apreciar esse lento círculo azul do tempo de que fala Sophia.
Quero dar-te o mundo, ensinar-te a olhar as estrelas, a respirar fundo quando se começa a subir o Marão, para melhor sentires o cheiro da terra que te corre no sangue e que espero venhas a amar tanto como eu. Quero mostrar-te a maravilha das coisas simples: um mergulho no mar, o cheiro a maresia na pele depois de um longo dia de praia, uma Joaninha na pétala de uma flor na Primavera, uma canção bonita, um arco-íris depois do sol beijar a chuva, uma fatia de pão com manteiga, acabadinho de sair do forno. Quero que saibas que um abraço apertado cura quase todos os males do mundo; que há poucas coisas tão boas como uma boa conversa em redor de uma mesa de amigos e que não há mal absolutamente nenhum em estar triste de vez em quando; que chorar é permitido e que um sorriso sincero é uma das melhores armas que existe. 
Gostava que crescesses com a certeza de que és amado e de que precisamos uns dos outros para sermos verdadeiramente felizes - irás certamente ouvir algures que nenhum Homem é uma ilha, acredita nisso. Gostava que aprendesses a respeitar-te a ti mesmo em primeiro lugar, para depois melhor poderes respeitar todos os outros. Sê generoso, solidário, atencioso e afectuoso com os demais. Acredita em ti e nas tuas capacidades e nunca deixes que ninguém te impeça de sonhar. Faz com que palavras como honestidade e lealdade tenham um significado profundo na tua vida. Valoriza as amizades, as verdadeiras, e rodeia-te de pessoas que mereçam a pena e que te obriguem constantemente a ser uma pessoa melhor. Lê muito, tudo o que te aparecer à frente no início, rapidamente saberás distinguir o trigo do joio. Pensa pela tua própria cabeça e nunca queiras ser apenas mais um no rebanho. Abraça a tua originalidade, luta por ela. Viaja sempre que puderes e faz das viagens parte da tua educação e instrução, nada te fará mais rico e, se eu te der bem a benção, nada te dará mais prazer, também. Olha sempre o Outro nos olhos, seja ele quem for. Acredita na bondade das pessoas, verás que a grande maioria é, de facto, gente boa. Aprende a cozinhar, a fazer a cama, a passar a tua roupa a ferro e a arrumar a casa - não deixes que façam de ti uma pessoa sempre dependente de terceiros, valoriza a tua independência e o teu papel como um todo numa sociedade mais justa e igualitária. Debate-te por causas e valores justos, faz com que essa seja a tua força. Utiliza o poder que eventualmente te for concedido para tornar este mundo um lugar melhor.
Permite-te ser sempre criança e não tenhas medo de brincar, mesmo quando te disserem que já és demasiado crescido para o fazer. Persegue os teus sonhos e vive a vida da forma como achas que deve ser vivida, não te deixes prender a expectativas alheias e não vivas a vida que outros planearam para ti. Sobe às árvores, toma banhos de mangueira, come fruta quente colhida por ti, esfola joelhos e suja as mãos de terra. Faz castelos de areia e guisados de lama e folhas. Canta na banheira e sempre que te apetecer. Conduz de vidros abertos numa tarde quente de Verão, grita bem alto no cimo de uma montanha-russa e nunca tenhas medo de arriscar, estando sempre bem ciente dos teus limites. Supera-os, sempre que te for possível. Ouve as pessoas com atenção, faz perguntas, mesmo se te parecerem estúpidas. Respeita o espaço dos outros, a sua intimidade e formas de estar na vida. Não tenhas medo nem vergonha de pedir ajuda e está atento às necessidades dos outros, sem te impores - perceberás que quando ajudares alguém, essa ajuda terá sempre que ver com o outro e não contigo; não ofereças ajuda apenas para te sentires melhor, tenta perceber o que a pessoa realmente precisa. 
Diz a todos os que amas aquilo que sentes, não tenhas medo de demonstrar o teu afecto e acredita que abraços, beijos e mimos nunca são em quantidade exagerada. No entanto, há um tempo e um espaço para tudo, aprende a conhecê-los e respeita-os. Apaixona-te perdidamente, não tenhas medo de te entregar quando achares que chegou o momento. Respeita todas as pessoas que amares, não as tentes mudar ou moldá-las a teu belo prazer. Escreve cartas de amor, oferece flores e pequenos presentes só porque sim, permite-te ser ridiculamente romântico e profundamente lamechas de vez em quando. 
Nunca duvides que o saber não ocupa lugar e procura a verdade, sempre. Aprende os dois lados de cada história, tanto quanto possível. Mantém a tua mente aberta e o teu espírito curioso, não caias em pré-conceitos e ideias feitas. Sê genuinamente curioso em relação aos outros, procura saber o que pensam, como se sentem. Não julgues apressadamente. 
Vai ao cinema, ao teatro, a todos os concertos que conseguires. Gosta da Fafá de Belém e de música clássica, como o teu pai, ninguém disse que os gostos de cada um têm que ser homogéneos. Vai ao futebol, assiste a partidas de ténis e a corridas automobilísticas. Joga jogos de tabuleiro e umas cartadas com a família e os amigos. Deixa-te perder pelas ruas das cidades e sobe às montanhas. 
Sê tu próprio, sempre. Vive de forma plena, íntegra e inteira. Eu estarei sempre por perto para tudo o que precisares, caminhando ao teu lado, pegando-te ao colo, dando-te a mão e oferecendo-te o meu ombro, o meu tempo, a minha disponibilidade e o meu carinho. 

Espero que a vida te sorria e que tu lhe saibas sorrir de volta, meu pequeno homenzinho.

Um beijo enorme desta tua tia-madrinha que te ama tanto, tanto.