9 de julho de 2013

Poetinha*



* Diminutivo carinhoso de um artista maior. Deixou-nos há exactamente 33 anos, pouco mais de um mês antes de eu nascer. Tem sido uma presença constante na minha vida. Para sempre. 

A bênção, amigo. Saravá!

6 de julho de 2013

As coisas que passam têm para sempre uma história exacta.*












Leça, Junho de 2013


Escolhi buscar a felicidade, encontrar beleza nas mais pequenas coisas, aprender com os momentos maus e deles retirar forças e sabedoria para todos os outros. Sim, retirar forças dos momentos maus, pois é nestes que a nossa verdadeira força se revela. Escolhi viver um dia de cada, concentrar-me no hoje e nas coisas que posso controlar. Escolhi viver, não apenas sobreviver, como se a vida fosse um rio que corre desenfreado ao meu lado e no qual me recusava quase sempre a entrar. Escolhi entrar na corrente, numa embarcação à minha medida, remando ao meu ritmo e traçando a minha rota. Tentarei evitar as zonas mais turbulentas, as quedas de água mais perigosas, descansarei na margem sempre que necessário, mas não me vou esconder mais numa caverna à espera que todos os perigos passem, que as águas estejam completamente serenadas, que todos se esqueçam de mim para seguir em frente. 

Aprendi a lição. Da forma mais dura, mas aprendi. Bem vistas as coisas, tinha que ser assim. Todos temos uma personalidade única, um ritmo próprio - quererem que sejamos da companhia a toda a força só nos trava ainda mais, bloqueia-nos, faz-nos duvidar das nossas próprias capacidades. Olhando para trás, não foi tempo perdido, foi um tempo ganho a mim mesma. Para me conhecer melhor, para saber o que não quero e por onde devo ir. Foi um tempo de resgate.

Resta-me ter a coragem para não me perder de mim novamente, encontrar de novo o prazer nas coisas que sempre me caracterizaram e fizeram parte de mim. Falta-me voltar a escrever como quem respira, recuperar aquela voz própria que me diziam existir na minha escrita, que a tornava única e apetecível. Falta-me voltar a gostar daquilo que escrevo e a sentir necessidade de escrever muitas vezes, todos os dias. Falta-me preencher este vazio que transparece para tudo o que escrevo, tornando as palavras pastosas, repetitivas, cansativas, tantas vezes sem nexo. 

Preciso de ler mais, muito mais e melhor, não apenas notícias e blogues mais ou menos interessantes. Preciso de devorar livros como antes, virar noites agarrada a personagens e histórias, virando páginas à velocidade da luz, voltando atrás para sublinhar uma frase, marcar um diálogo ou ler melhor um parágrafo. Preciso de deitar a cabeça no chão do quarto, pés na parede e livro encostado às pernas, num difícil equilíbrio que muito terá contribuído para a minha vista cansada.

Preciso de acreditar mais em mim, nas minhas capacidades. Não desistir dos meus sonhos ao mínimo obstáculo, traçar planos concretos e exequíveis, rodear-me de quem me quer bem e aceitar ajuda de quem ma oferece de coração. Aprender a pedir ajuda também me dava um certo jeito, já agora.

Não, os últimos anos não têm sido fáceis. Acho que já experimentei um bocadinho de todas as dores do mundo e, ainda assim, sei-me tão privilegiada em relação a tanta, mas tanta gente. Conheço o cheiro e o rosto da morte, sei da brutal ausência de todos os que me foram roubados por ela. Sei que morremos sozinhos, mesmo que rodeados por muitos daqueles que amamos. Sei que no fim somos todos, mas todos iguais.

Perdi demasiadas coisas nos últimos anos, materiais e não só. Vi a morte mais vezes do que gostaria nos últimos tempos, assisti ao último suspiro de pessoas muito importantes na minha vida e senti os seus corpos frios quando todas as suas memórias passaram para os nossos corações (a sabedoria está na voz dos mais pequenos). Posto isto, tudo se me tornou simples: a esperança é mesmo a última a morrer - resta-nos lutar até ao fim, por nós, acima de tudo, para depois termos forças e capacidade para lutar pelo e com os outros.



* Sophia de Mello Breyner Andresen

17 de junho de 2013

Construir o meu caminho hoje.

Después de un tiempo, 
uno aprende la sutil diferencia
entre sostener una mano
y encadenar un alma, 
y uno aprende
que el amor no significa acostarse
y una compañía no significa seguridad
y uno empieza a aprender...
Que los besos no son contratos
y los regalos no son promesas
y uno empieza a aceptar sus derrotas
con la cabeza alta y los ojos abiertos
y uno aprende a construir
todos sus caminos en el hoy, 
porque el terreno del mañana
es demasiado inseguro para planes...
y los futuros tienen una forma de caerse 
en la mitad. 
Y después de un tiempo
uno aprende que si es demasiado, 
hasta el calorcito del sol quema. 
Así que uno planta su propio jardín
y decora su propia alma, 
en lugar de esperar a que alguien le traiga flores. 
Y uno aprende que realmente puede aguantar,
que uno realmente es fuerte, 
que uno realmente vale, 
y uno aprende y aprende...
y con cada día uno aprende.

- Jorge Luis Borges - 

Para colher sonhos todos os dias.

16 de junho de 2013

*

every time I shed tears
in the last past years
when I pass through the hills
oh, what images return
oh I yearn
for the roots of the woodds
that origin of all my strong and strange moods
I lost something in the hills
I lost something in the hills
I lost something in the hills

I grew up in declivities
others grow up in cities
where first love and soul takes rise
there where times in my life
when I felt mad and deprived
and only the slopes gave me hope
when I pass through the leg high grass I shall die
under the jasmin I shall die
under the elder tree
and I need not prepare for a new coming day
where is it that fills the deepness I feel
You will say I'm not Robin the Hood
But how could I hide from top to foot
that I lost something in the hills
I lost something in the hills
Oh I lost something in the hills

Now I lean on my window sill
and I cry, though it's silly
and I'm dreaming of off and away
oh I know further west these hills exist
marked by apple trees marked by a straight brook
that leads me wherever I want it to
well I lost something in the hills
I lost something in the hills
oh, I lost something in the hills


- I lost something in the hills, de Sibylle Baier -


* Uma das minhas canções preferidas de sempre.