every time I shed tears in the last past years when I pass through the hills oh, what images return oh I yearn for the roots of the woodds that origin of all my strong and strange moods I lost something in the hills I lost something in the hills I lost something in the hills
I grew up in declivities others grow up in cities where first love and soul takes rise there where times in my life when I felt mad and deprived and only the slopes gave me hope when I pass through the leg high grass I shall die under the jasmin I shall die under the elder tree and I need not prepare for a new coming day where is it that fills the deepness I feel You will say I'm not Robin the Hood But how could I hide from top to foot that I lost something in the hills I lost something in the hills Oh I lost something in the hills
Now I lean on my window sill and I cry, though it's silly and I'm dreaming of off and away oh I know further west these hills exist marked by apple trees marked by a straight brook that leads me wherever I want it to well I lost something in the hills I lost something in the hills oh, I lost something in the hills
" (...) O ser infeliz tem conjuntura alta e uma campanha de imagem muito forte. A ideia de infelicidade é desesperada, extrema, um tsunami que arrasta, uma via única. A infelicidade anula a escolha, desresponsabiliza e por isso é confortável. A infelicidade torna-se uma segunda pele, como o sofá e os chinelos. Há quem seja viciado no “coitadinho”, no tom expiatório da vítima. Incapaz de se desintoxicar, há quem se esqueça de viver. Ficando à espera de uma deusa celebrada e muito esquiva chamada alegria. É tramada a solidão dos infelizes.
(...) E é tudo isso que me move a agarrar a vida, a esculpir a felicidade com o afinco, não o talento, de um Leonardo. Tento ter a coragem da alegria. Faço dela um método. O prazer de viver, da descoberta e do encantamento é uma disciplina.
Tento olhar os dias inspirada pelas palavras desse sábio que é Vinicius de Moraes. Que cada instante (como o amor)“não seja imortal, posto que é chama/ mas que seja infinito enquanto dure”. Esse infinito, não é o da matemática, mas o da vida, feito de rupturas, vertigens, sujeito a intempéries.
Exijo passar pela vida e não que ela passe por mim. Impossible is Nothing. "
Da estrada para Alcañices. Das compras nas Paquitas e no Fidel. Dos passeios pela Calle Stª Clara, em Zamora. Dos churros com chocolate quente. Dos piqueniques na Sanábria. Da Galiza. Dos chiringuitos de praia. Da minha mãe a comer boquerones. Das paellas. Das parrilladas. Das tapas, das tábuas de queijo e enchidos. De ir pinchar de tasquinha em tasquinha. Das gambas al ajilo comidas num restaurante de beira de estrada à entrada de Madrid para fugir à hora de ponta de regresso a casa em final de quinzena de férias. Da Andaluzia. Da Feria de Almeria. Da esplanada do José. Do Mediterrâneo. De Granada e do Alhambra. Do mosto vindo directamente de Léon. Do Monasterio de San Marcos. Das ruas de Barcelona. Da viagem de comboio até San Pol de Mar. De Roquetas. De Mojacar. Do calor insuportável de Sevilha. De ver dançar flamenco. De me arrepiar com uma guitarrada ao vivo. Dos torrões. Dos polvorones. Das natillas e da crema catalana. Da tarte de cuajada da minha tia. Do D. e do R. a dizerem entonces, tenemos que ver e outras espanholices no seu portunhol de crianças bilingues. De gazpacho, de granizados, de tomates bem maduros no Verão. Do céu andaluz.
Há qualquer coisa em mim que pertence ao país vizinho. Como há uma grande parte de mim espalhada pelos quatro cantos do mundo, uma alma dividida que me faz sempre sentir que vou ao encontro de mim mesma de cada vez que viajo e me faz sentir em casa em muitos lugares fora deste nosso cantinho à beira-mar plantado. Há quem diga que é o chamamento do sangue, de antepassados que criaram raízes mais ou menos profundas noutras paragens, umas mais longínquas que outras.
Sempre soube que tenho um espírito saltimbanco, uma alma nómada, uma necessidade de me manter em trânsito, percorrendo vários lugares que de alguma forma me atraem, como um canto de sereia. Preciso dessa errância, sou mais feliz na estrada, entre destinos. No entanto, sei bem onde fica o meu porto de abrigo, a minha rampa de lançamento, a minha pista aberta para todos os voos.
Sou uma portuguesa-tripeira, cidadã do mundo, e espero um dia poder terminar a minha viagem sob o céu único do meu Reino Maravilhoso. Até lá, há tanto chão à minha espera.