12 de janeiro de 2013

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Não lhe parece estranho que certas memórias de infância estejam assim coalhadas em luz, encapsuladas como aquelas esferas de vidro que ao virar-se cintilam de neve ou de partículas doiradas sobre uma paisagem em miniatura? Podia ser o Escorial, a Torre de Londres, os Montes Apalaches. Um par que dança de pernas para o ar na concha da mão cheia de vidro grosso, dentro do qual paira depois, em descida mansa, uma poalha de estrelas cadentes. Pode ser o Taj Mahal, feito para alumbrar porque navega nos ares à hora da bruma arfante do calor. Isso eu vi. Ou talvez estivesse marejada de choro. Jazigo raro, onde quem sabe só restam que résteas de ossos.
Está-se lá dentro, nas esferas vivas, sem saber para onde se ia, nem de onde se vinha. Para sempre, o que não é exagero nenhum, enquanto a memória veja. Mas suponho que são estas bagas translúcidas que atravessam de sorrisos o cochilar dos velhos e dos meninos que hão-de voltar a ser. Se voltarem. Ele há tanto sítio e lugar e ser de que se está tão certo e seguro em sonhos, que é bem possível que para lá se vá ou de lá se venha. A alma é imortal mas não nos é dado saber aonde se demora.


- Maria Velho da Costa, in O Amante do Crato -

4 de janeiro de 2013

Sobrevivemos.















Dezembro de 2012

Apesar de tudo, acho que conseguimos preservar e viver o essencial desta quadra. Estamos vivos e juntos - e isso é mesmo o mais importante.

Que o novo ano seja sinónimo de esperanças renovadas e muitos sorrisos e abraços, assim como capacidade para lutar por dias melhores e mais justos para todos. 

21 de dezembro de 2012

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Pela primeira vez, em 32 anos de existência, não me apetece o Natal. Quero que chegue e que passe rápido. E isso assusta-me, não quero ser alguém a quem esta época é indiferente ou, pior ainda, um verdadeiro tormento. Não quero porque eu não sou assim, esta altura do ano sempre foi das mais ansiadas e vividas por mim e é importante e urgente que assim volte a acontecer. Mas não este Natal - este ano quero que passe a voar e que 2013 chegue logo logo, para acabar rapidamente com as festividades.

Um dos meus desejos para o novo ano que se avizinha é que o Natal entre de novo no meu coração, que a vida se ajeite de forma a que os meus dias sejam mais tranquilos e que essa serenidade me devolva a mim mesma. Só assim poderei voltar a viver esta época com a intensidade e profundidade que sempre me fez sentido.

Deixo-vos uma das canções que mais gostava de cantar em criança e que ainda hoje me transporta imediatamente para um lugar de corações cheios e quentes:



Um bom Natal para todos e um novo ano cheio de tudo aquilo que sonharem para as vossas vidas. Voltamos a encontrar-nos em Janeiro. Fiquem bem!

17 de dezembro de 2012

O pássaro-esperança

Hope is the thing with feathers
That perches in the soul,
And sings the tune without the words,
And never stops at all,

And sweetest in the gale is heard;
And sore must be the storm
That could abash the little bird
That kept so many warm.

I've heard it in the chillest land
And on the strangest sea;
Yet, never, in extremity,
It asked a crumb of me.


- Emily Dickinson -