1 de outubro de 2012

Superfantástico


Qualquer criança deveria ter direito a, pelo menos uma vez na vida, andar numa roda gigante de romaria,


lambuzar-se com um algodão doce quase do tamanho dela


e dançar no adro da igreja.

Assim, com as melhores amigas, amigas do peito!



29 de setembro de 2012

Sophia, sempre.

Exílio
Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades
 
Um dia
Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.

O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nosso membros lassos
A leve rapidez dos animais.

Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala. 
 
- Sophia de Mello Breyner Andresen - 

Hoje em dose dupla. Porque (me) faz sentido.

Estação da alma.





Porto - início de Outono, 2012


É Outono dentro de mim.

15 de setembro de 2012

...





Setembro de 2012

Por vezes, é necessário percorrer toda uma escala de cinzentos para nos inteirarmos, verdadeiramente, dos vários contrastes da vida.

9 de setembro de 2012

Somatório Σ











 Verão 2012

Não sei o que são férias há dois anos. Este Verão, conto duas tardes de praia na pele e um mergulho e meio na piscina. Os próximos meses adivinham-se difíceis, cinzentos, ainda mais angustiantes. Os problemas e as frustrações avolumam-se, enquanto que a minha capacidade para os enfrentar por vezes parece estar por um fio. Deixei de ver noticiários, crivo cada vez mais a informação que consumo, tenho os níveis de esperança no limiar da loucura. Vivo no dilema constante de desistir de tudo e partir em busca de uma nova vida bem longe daqui ou não baixar os braços, apesar de todos os indicativos contrários, e lutar até ao fim, mesmo quando já ninguém parece dar valor a essa mesma luta. Mas esta esquizofrenia permite-me também dar cada vez mais valor às pequenas coisas, àquelas mais simples desta vida, sendo também as que nos dão verdadeiro prazer, bem vistas as coisas.
Ao catalogar as fotografias destes últimos meses, apercebi-me dos momentos de pura felicidade que vivi. Felicidade construída sobre a convicção plena de que a mesma não é um fim, mas um meio, um somatório de pequenos grandes momentos que nos ajudam a seguir em frente. Mesmo que o mundo à minha volta pareça estar a ruir, que a vida, tal como a conhecemos até agora tenha obrigatoriamente que sofrer mudanças profundas, enquanto houver o meu mar, finais de tarde com luz dourada, luas cheias avistadas de lugares especiais, jantares em família e mesas cuidadosamente postas, raios de sol a dançar nas copas das árvores e todos aqueles que mais amo bem à minha beira, eu ficarei bem. Todos vamos ficar bem.