15 de setembro de 2012

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Setembro de 2012

Por vezes, é necessário percorrer toda uma escala de cinzentos para nos inteirarmos, verdadeiramente, dos vários contrastes da vida.

9 de setembro de 2012

Somatório Σ











 Verão 2012

Não sei o que são férias há dois anos. Este Verão, conto duas tardes de praia na pele e um mergulho e meio na piscina. Os próximos meses adivinham-se difíceis, cinzentos, ainda mais angustiantes. Os problemas e as frustrações avolumam-se, enquanto que a minha capacidade para os enfrentar por vezes parece estar por um fio. Deixei de ver noticiários, crivo cada vez mais a informação que consumo, tenho os níveis de esperança no limiar da loucura. Vivo no dilema constante de desistir de tudo e partir em busca de uma nova vida bem longe daqui ou não baixar os braços, apesar de todos os indicativos contrários, e lutar até ao fim, mesmo quando já ninguém parece dar valor a essa mesma luta. Mas esta esquizofrenia permite-me também dar cada vez mais valor às pequenas coisas, àquelas mais simples desta vida, sendo também as que nos dão verdadeiro prazer, bem vistas as coisas.
Ao catalogar as fotografias destes últimos meses, apercebi-me dos momentos de pura felicidade que vivi. Felicidade construída sobre a convicção plena de que a mesma não é um fim, mas um meio, um somatório de pequenos grandes momentos que nos ajudam a seguir em frente. Mesmo que o mundo à minha volta pareça estar a ruir, que a vida, tal como a conhecemos até agora tenha obrigatoriamente que sofrer mudanças profundas, enquanto houver o meu mar, finais de tarde com luz dourada, luas cheias avistadas de lugares especiais, jantares em família e mesas cuidadosamente postas, raios de sol a dançar nas copas das árvores e todos aqueles que mais amo bem à minha beira, eu ficarei bem. Todos vamos ficar bem.

5 de setembro de 2012

O meu reino maravilhoso.










 Nordeste transmontano - Agosto de 2012


" (...) Vê-se primeiro um mar de pedras. Vagas e vagas sideradas, hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus criador e dominador. Tudo parado e mudo. Apenas se move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente, rasga a crosta do silêncio uma voz de franqueza desembainhada:

- Para cá do Marão, mandam os que cá estão!...

Sente-se um calafrio. A vista alarga-se de ânsia e de assombro. Que penedo falou? Que terror respeitoso se apodera de nós? Mas de nada vale interrogar o grande oceano megalítico, porque o nume invisível ordena:

- Entre!

A gente entra, e já está no Reino Maravilhoso. (...)

Um mundo! Um nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia, que tanto se levanta a pino num ímpeto de subir ao céu, como se afunda nuns abismos de angústia, não se sabe por que telúrica contrição.

Terra-Quente e Terra-Fria. Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas. Nos intervalos, apertados entre os rios de água cristalina, cantantes, a matar a sede de tanta angústia. E de quando em quando, oásis da inquietação que fez tais rugas geológicas, um vale imenso, dum húmus puro, onde a vista descansa da agressão das penedias. Mas novamente o granito protesta. Novamente nos acorda para a força medular de tudo. E são outra vez serras, até perder de vista. (...) "

- Miguel Torga, Um Reino Maravilhoso -

Anseio sempre pelo momento em que, já para lá do Marão, abro a janela do carro e aquele cheiro a terra secular, oliveiras, castanheiros, azevinho, avelaneiras, salgueiros, zimbro, urze e cornalheira, entra de rompante e sem pedir licença, colando-se de imediato à pele e aos cabelos, devolvendo-me a mim mesma, transportando-me no tempo, passado e futuro, fazendo-me sentir viva, como só o cheiro a maresia consegue igualar. Se o mar é a minha alma e o meu espírito errante, Trás-os-Montes é o meu corpo, a minha carne, o meu chão. Se não consigo viver muito tempo longe do mar - falta-me o ar, o peito fecha-se em concha, obrigando o meu coração a reduzir-se ao tamanho do de um passarinho, a cabeça começa a pesar toneladas e o meu olhar torna-se mais baço - o mar, para além de tudo o resto, tem em mim um efeito purificador, obrigando-me sempre a limpar tudo o que é de deitar fora, chegando mesmo a fazer tábua rasa muitas vezes, este meu reino maravilhoso de montanhas, pedras, vales, lameiros, gentes afáveis e perseverantes, pão sempre sobre a mesa e gastronomia de me fazer recuar séculos a cada garfada, completa-me de uma forma vital. Terra e mar terão sempre de andar paralelamente na minha vida, a bem da minha sanidade mental. Esta terra, que me recebeu com apenas 15 dias de vida, num Agosto quente que se tem vindo a repetir ao longo do meu crescimento, assim como muitos outros meses que contribuíram profundamente para a Mar que sou hoje. 

Um dia, quando os meus cabelos cor de fogo tiverem virado um vale de neve, é aqui que quero passar os meus dias, intercalados, de igual forma, com uma varanda sobre o Atlântico. É esse o equilíbrio que busco e que tanta falta me tem feito nestes últimos três anos. Aquele cheiro e um oceano de maresia colados na minha pele.

23 de agosto de 2012

Um dia depois,



Hoje roubei todas as rosas dos jardins e cheguei ao pé de ti de mãos vazias. 

 - Eugénio de Andrade - 

mas com o mesmo carinho de sempre, deixo-te aqui uma música do meu tempo e as palavras do meu Geninho, para te desejar um novo ano cheio de coisas boas. Espero que este nosso querido mês de Agosto seja o início de uma etapa mais feliz na tua (nossa) vida. Que, apesar da distância física, possamos estar sempre perto uma da outra, de braço dado, ainda que em pensamento, como quando calcorreávamos as ruas de Coimbra ou de Roma. 

Parabéns, ragazza mia! Tudo de bom, hoje e sempre ;)

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7 de agosto de 2012

Parabéns Cê!


Sete das minhas músicas preferidas, uma por cada década de vida. Setenta anos. Um eterno menino. Um dos orgulhos da Dona Canô.

6 de agosto de 2012

En un rincon del alma...

 
Chavela Vargas, 1919 - 2012 

 (te) guardare hasta el dia
en que me vaya yo.

Hasta siempre, mi paloma negra.