Apesar da Consoada na noite de ontem, da mesa farta, da família reunida e dos presentes, o dia de hoje, para mim, é sempre o mais especial e aquele em que sinto, verdadeiramente, o Natal.
Espero que em vossas casas estejam a ter o melhor Natal possível, junto daqueles que mais amam. Desejo-vos o trivial que de trivial não tem mesmo nada: saúde, paz e amor - tudo o resto é acessório e virá por acréscimo.
Ontem, por entre moçambicanos, recordações de Moçambique, lembranças da Beira, canções de Natal e Bolo-Rei, recebemos a notícia da morte de Cesária. No meio da consternação de todos, alguém disse, sinto a terra nos meus pés, e eu senti também, mais ainda ao recordar os pés descalços da "Rainha da Morna", sempre que cantava.
Hoje, sim, começa-se a viver o Natal por aqui. Intimamente, a minha quadra natalícia começou no domingo passado, o primeiro do calendário do Advento. Mas as demonstrações e decorações das festividades começam hoje, se tudo correr bem e conseguir tempo para montar a árvore e decorar a casa (o dia começou tarde e vai ser preenchido, por isso não me garanto ter tempo para tudo).
Hoje começa, para mim, também, a antecipação de uma das coisas que eu mais gosto no Natal - a oportunidade de oferecer presentes àqueles que me são mais queridos e especiais. Muito mais do que receber presentes, gosto de os oferecer - e, antes disso, de os escolher e/ou fazer com carinho a pensar nas pessoas que os receberão. Gosto do processo todo, mas, acima de tudo, vibro com o momento em que as pessoas os abrem e eu posso observar as suas reacções. É tão bom quando conseguimos fazer alguém sorrir com o presente mais singelo do mundo, contudo carregadinho de amor.
Por tudo isto, o vídeo acima, descaradamente roubado à sem-se-ver e guardado à espera deste dia, deixou-me de lágrima no olho e um sorriso de ternura e encantamento. Porque, muito mais do que qualquer outra coisa, o Natal é estarmos com aqueles que amamos e fazê-los felizes, com gestos simples, mas cheios de tudo.