14 de setembro de 2011

Lobe dame oll*


Já conhecia a série e algumas personagens de tanto ouvir falar, mas ainda não tinha tido tempo (ou ainda não me tinha dado tempo) para assistir a este desenrolar de situações e diálogos completamente hilariantes. O elenco não poderia ter sido melhor escolhido e as personagens estão muito bem escritas e elaboradas, tocando nos pontinhos todos, em cada estereótipo e cliché de uma forma leve e bem humorada, mas extremamente certeira.

Têm feito parte dos meus dias ultimamente e já não consigo viver sem os 11 maravilha. Conseguem-me arrancar as gargalhadas mais genuínas dos últimos tempos e deixam-me sempre com uma sensação de leveza e boa disposição, numa altura em que tanto preciso de me abstrair dos problemas e das nuvens cinzentas que teimam em não sair de cima das nossas cabeças. 

Como diria a Patareca: estou fona!!! 

* pronúncia do Norte ;)

9 de setembro de 2011

Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.

Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.

-Alberto Caeiro-

8 de setembro de 2011

Aveirando.





















Aveiro - Setembro de 2011

Mais de 12 horas longe de tudo. Um dia inteiro (quase) sem pensar nos problemas, nos medos, nas frustrações. O céu limpo e um sol quente, disfarçado pela brisa que vinha do mar e que me valeu um escaldão. A luz de Setembro, ainda mais dourada, a fazer-me desejar prolongar o Verão eternamente. O passeio de Moliceiro, a certeza de que o meu elemento é a água e o Bairro dos Pescadores, onde apetece deixarmo-nos levar pelas cores e pelos cheiros que enchem cada rua, cada casa de uma vida imensa, intensa. A Ria, o som refrescante das águas, o jardim, o piquenique e a nossa baixela colorida e tão especial. 

A luz. O que mais me comoveu foi a luz. Andava a precisar de uma Rota da Luz nos meus dias.

Mais fotografias no Micocas.

28 de agosto de 2011

Plantando o meu próprio jardim.

Después de un tiempo,
uno aprende la sutil diferencia
entre sostener una mano
y encadenar un alma,
y uno aprende
que el amor no significa acostarse
y una compañía no significa seguridad
y uno empieza a aprender...
Que los besos no son contratos
y los regalos no son promesas
y uno empieza a aceptar sus derrotas
con la cabeza alta y los ojos abiertos
y uno aprende a construir
todos sus caminos en el hoy,
porque el terreno del mañana
es demasiado inseguro para planes...
y los futuros tienen una forma de caerse
en la mitad.
Y después de un tiempo
uno aprende que si es demasiado,
hasta el calorcito del sol quema.
Así que uno planta su propio jardín
y decora su propia alma,
en lugar de esperar a que alguien le traiga flores.
Y uno aprende que realmente puede aguantar,
que uno realmente es fuerte,
que uno realmente vale,
y uno aprende y aprende...
y con cada día uno aprende.

- Jorge Luis Borges -

21 de agosto de 2011

Porém, já nascemos livres.




Uma das coisas que mais me angustia é esta capacidade recorrente dos (alguns) adultos cortarem a infância das crianças pela raiz. 

Quando olho para a nossa pequena mascote, para o seu olhar irrequieto, vivo, curioso, perspicaz e atento, para o seu sorriso traquina e para a sua imaginação prodigiosa, que procuramos alimentar q.b., permitindo-lhe ganhar asas e voar de uma forma saudável, não consigo deixar de pensar em todas as outras crianças que são diariamente violentadas, física e psicologicamente, por esse mundo fora. 

Quando a olho neste momento, adormecida no sofá da sala, indiferente ao barulho do Beira-Mar/Sporting na televisão e à algazarra típica de domingo à tarde aqui em casa dos avós, renovo a certeza de que sou capaz de fazer qualquer coisa para a proteger, assim como a todos aqueles que mais amo.

15 de agosto de 2011

Dos muros.




 Berlim - Julho de 2010

A Helena, uma das vozes mais originais e cativantes da blogosfera portuguesa e arredores, tem vindo a presentear-nos com uma série magnífica de posts dedicados ao cinquentenário sobre a construção do Muro de Berlim. Vale a pena ir espreitar e ler com atenção, observar as imagens com cuidado e parar um pouco para reflectir - e há tanto sobre o que reflectir neste momento no mundo, sobre estes 50 anos e sobre o futuro de todos nós. 

Eu cresci a ouvir falar do Muro, a ver imagens do Muro, a ouvir histórias e relatos de testemunhos de pessoas cujas vidas tinham sido directa ou indirectamente afectadas devido à sua construção. Aos nove anos, aquando da queda do Muro, tinha uma noção bastante aprofundada, não apenas da sua existência mas, acima de tudo, do seu significado. O dia 9 de Novembro de 1989 ficará para sempre na minha memória como um dos dias mais felizes da minha vida - há sorrisos e abraços que não se esquecem jamais. 

A nível mais pessoal, o dia 13 de Agosto é um marco doloroso no nosso calendário familiar. Se há muros físicos que cortam vidas, cidades, países e povos ao meio, há barreiras de dor, invisíveis a olho nu, capazes de deixar marcas eternas no seio de uma família.

8 de agosto de 2011