14 de julho de 2011

Adenda ao post anterior (quase sem spoilers!)

Passou o filme agarrada à minha mão, sentada na ponta da cadeira, quase colada ao lugar da frente - diz que assim via melhor, que se se recostasse na cadeira iria ver tudo desfocado, maldito 3D, nem era necessário num filme destes, logo ela que vê mal ao longe. Desculpas esfarrapadas, que a emoção falou mais alto e os bichos carpinteiros não a deixaram sentar-se em condições durante o filme todo.

Gostei bastante, apesar de ter concordado com todas as críticas que ela começou a fazer, ainda as luzes da sala não se tinham acendido. Entre outras, que o final poderia ter sido diferente, etc e tal. Contudo, a carinha emocionada, o coração acelerado e as lágrimas que lhe escorreram rosto abaixo mal o genérico final surgiu no ecrã, fizeram com que tudo valesse a pena e até os efeitos especiais menos bem conseguidos, de repente não me pareceram assim tão maus.

O amor prevalece e esse, digam o que disserem, é o que faz mover o mundo.

P.S. 1- A Helena Bonham Carter é, toda ela, uma personagem e, mesmo quase não abrindo a boca durante o filme todo, enche o ecrã de cada vez que aparece. Gotta love that woman!

P.S. 2 - Passei no teste. Acho eu!

12 de julho de 2011

O ponto alto do (meu) ano


foi ver a cara dela ontem, quando descobriu que estavam a vender bilhetes para a ante-estreia do The Worldwide Phenomenon (e estou a citá-la). É claro que foi logo a correr comprar-nos bilhetes e tem andado numa excitação contagiante. Hoje, numa ida a pé do Amial aos Aliados, tive que ouvir o resumo alargado de TODA a saga, com especial incidência para os 5º e 7º filmes que eu, sacrilégio supremo, não vi - li o primeiro livro em voz alta ao D., que na altura tinha preguiça para ler, mas depois não li mais nenhum e fui vendo os filmes muito por causa deles. Lá ouvi tudo com a atenção possível, sendo repreendida a cada instante com um mas tu estás a ouvir-me?!, oh, não estás a prestar atenção..., ou de certeza que estás a perceber tudo? Ora diz lá o que é isto ou aquilo (inserir terminologia harrypottiana). 

Senti-me como os putos em vésperas de Provas de Aferição - não contam para nota, mas deixam-nos com umas dores de barriga do camandro. A minha avaliação vai ditar se passo a ser fixe e cool novamente ou se sou, definitivamente, uma cota com (quase) 31 anos. 

Faço o teste às 00h00 de 5ªfeira, dia 14 do corrente mês. Wish me luck!

9 de julho de 2011

A árvore da vida*

Olhando para a minha vida - assim como para os últimos posts por aqui escritos, apercebo-me, uma vez mais, como é sinuoso o caminho que somos tantas vezes obrigados a traçar, devido às mais variadas circunstâncias. Sei que a felicidade não se constrói em linha recta, mas há alturas em que tudo parece desmoronar à nossa volta. No entanto, no momento seguinte, há algo que nos devolve o alento, nos faz esboçar um sorriso e voltar a acreditar. É nesta montanha russa constante que vamos seguindo em frente, vivendo o dia a dia, traçando objectivos concretizáveis, continuando a sonhar.

Ando há dois dias com uma frase de Maria José Nogueira Pinto, uma daquelas almas nobres, mesmo quando se debatia por ideias e valores nem sempre concordantes com os meus, que nos deixou num testemunho que me comoveu - Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. A vida por aqui nem sempre é fácil, mas não deixa por isso de ter momentos de uma enorme felicidade. Como aqueles em que estamos todos juntos, quando sou abraçada pelos braços e pelo regaço quentinho daqueles que amo, quando vejo um projecto tornar-se realidade ou quando começamos a cantar How Do You Solve a Problem Like Maria, sempre que nos cruzamos com uma freira na rua. 

* Vi o The Tree of Life há já alguns dias. Pertenço ao grupo de pessoas que adorou cada minutinho, cada imagem, cada música escolhida para a banda sonora. O filme não me pareceu longo demais, não olhei para o relógio uma única vez, não achei os dinossauros metidos à pressão nem desgostei dos videoclips do início e do fim. A imagem estereotipada e algo batida daquela mãe também me pareceu fazer todo o sentido, num filme todo ele construído através de estereótipos, metáforas, clichés, crenças religiosas, correntes filosóficas e um enorme amor pela 7ª Arte. Só alguém muito apaixonado pelo cinema e pela possibilidade de contar histórias através de imagens faz um filme assim. Talvez o tenha visto na altura certa da minha vida, mas não poderia ter vindo mais a calhar.

5 de julho de 2011

O homem sonha, a obra nasce.

Micocas é uma alcunha de infância, um petit nom criado pela minha avó A. a partir de Mariana, que me fazia sentir especial e única. É um nome que associo imediatamente a casa, colo, família, cozinha, mesas cheias e refeições demoradas, brincadeiras, jardim, viagens de carro, fotografias, praia, guloseimas, presentes. São sete (e 7 é o meu número preferido) letrinhas que comportam em si toda uma infância cheia de coisas boas (e outras nem por isso), que me ajudaram a ser quem sou. Curiosamente, todas essas coisas boas que preencheram a minha infância, continuam, até hoje, a fazer parte de mim e, muitas delas, têm vindo a assumir um papel cada vez mais importante na minha vida. 
As viagens, a fotografia, a cozinha e tudo o que possa ser feito à mão e em casa, de uma forma artesanal e única, sem grandes linhas de montagem ou estandardizações, tornaram-se, não apenas em passatempos, mas numa forma e numa filosofia de vida.
Desta forma, surgiu uma enorme vontade de tentar conciliar tudo isso em algo criativo, que me preenchesse e me permitisse criar um fundo de maneio, uma espécie de bolsa, para sustentar as muitas viagens que estão nos meus planos. Viagens essas que, por sua vez, servem também como fonte de inspiração e de alimento para a alma, que depois transporto para tudo o que faço e que são imortalizadas em fotografias e em diários de bordo que um dia, espero eu, poderão dar outros frutos. 
É neste ciclo natural, orgânico e em constante mutação que surge Micocas, uma ideia que se pretende que vire uma marca, sinónimo de afectos, casa, família, amigos e bons momentos. 
Depois de muito sonharmos, planearmos, projectarmos e desesperarmos com alguns pormenores, o nosso baby project (como lhe chamou a Micas aka my mum) lá arrancou, devagarinho, para não tropeçar, mas de passo firme e determinado. 


P.S. - Estamos também aqui, no Livro das Caras - a ver se ficamos famosas ;) Ide espreitar e botem um like, se for caso disso!

1 de julho de 2011

Tenho em mim todos os sonhos do mundo*


Nos últimos dias, celebrámos todos os Santos, fizemos jantaradas no jardim com cheirinho a manjericos e a orvalhada ribeirinha.


Festejámos a vida, o prazer de estarmos juntos e os acrescentos da família com Cascatas Juninas.


Assámos sardinhas ao luar e comemos pimentos, broa e batatas com azeite até mais não.


Servimos caldo-verde tarde da noite, para espantar o frio e a humidade.


Lançámos muitos balões coloridos.


Cantamos "O balão do João sobe sobe pelo ar..."


Ficámos com torcicolos de tanto olhar para o céu.


Escrevemos mensagens para chegarem aos anjos (ou ao quintal do vizinho do lado).


Fizemos a festa e deitámos os foguetes - as canas apanham-se sempre no dia seguinte.


Celebrámos o amor de um João no dia do homónimo, apesar de dizerem que o António é que é o casamenteiro - e que ninguém diga que a colheita de 80 não é a melhor!


Terminámos os dias e as noites longas nos braços de quem mais amamos, pois só assim conseguimos seguir em frente e enfrentar os problemas que não se evaporam com o calor das fogueiras e dos abraços, apesar de se atenuarem consideravelmente.

Tomámos banhos de mar depois da meia-noite e passeámos na orla das ondas, afundando os pés na areia molhada.

Comemos farturas e cachorros-quentes em festas populares à beira-rio. Demos passeios pela cidade, dividimos lanhes, sorrisos e sonhos.

Fizemos planos, traçamos objectivos, concretizamos algumas etapas de projectos em andamento. Continuamos a sonhar.

Por tudo isto e muito mais, sei que tenho todas as razões do mundo para ficar e uma vontade/necessidade cada vez mais urgente de partir. Por mim, por eles. Para poder regressar para eles, inteira, intacta. Para me poder olhar ao espelho e me reconhecer, me (re)encontrar. Preciso de ir embora, ganhar mundo outra vez, voltar a olhar para mim e por mim - não de uma forma egoísta, mas por uma questão de sobrevivência. Se não estiver bem, não conseguirei ajudar quem quer que seja. Se me continuar a sentir vazia, oca, jamais conseguirei ser verdadeiramente feliz e, muito menos, fazer felizes aqueles que me rodeiam e que mais amo.

Tenho que voar novamente, sabendo sempre onde estão as minhas origens e o meu porto seguro. Talvez assim, um dia não muito longínquo, possa ser capaz de escrever algo semelhante. Quando esse dia chegar, não terei a sensação que adormeço e acordo todos os dias com uma desconhecida e sentir-me-ei bem comigo mesma outra vez. 

Aí sim, estarei pronta para voltar para casa.

*Álvaro de Campos 

20 de junho de 2011

Afinal o que importa é não ter medo.

Pastelaria

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura


Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio


Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante


Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos
frente ao precipício
e cair verticalmente no vício


Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola


Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come


Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!


Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir
de tudo 

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

- Mário Cesariny -