1 de dezembro de 2009

No instante de acordar...

Procuro um adjectivo para cobrir
o teu corpo, belo como o lençol da madrugada,
e lento como o teu abrir de pálpebras
no instante de acordar. Vou buscá-lo
a um armário de sinónimos, por entre
as palavras redondas do amor. Toco
os teus lábios com as suas sílabas,
sentindo a branca humidade da noite
no leve murmúrio em que pousam
os meus olhos. E vou descobrindo a luz
das palavras que tiro de cima de ti, para
que apenas te cubra o adjectivo
que te veste, nua, nos braços
que te procuram.

- Nuno Júdice -

30 de novembro de 2009

e-books?!






Compreendo bem o FJV ...


Quase de nada místico

Não, não deve ser nada este pulsar
de dentro: só um lento desejo
de dançar. E nem deve ter grande
significado este vapor dourado,

e invisível a olhares alheios:
só um pólen a meio, como de abelha
à espera de voar. E não é com certeza
relevante este brilhante aqui:

poeira de diamante que encontrei
pelo verso e por acaso, poema
muito breve e muito raso,
que (aproveitando) trago para ti.

- Ana Luisa Amaral -

29 de novembro de 2009

Black holes and revelations



Ouvi dizer que foi muito bom!!!

Sem ti

E de súbito desaba o silêncio.


É um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem lua.


Só nas minhas mãos
oiço a música das tuas.


- Eugénio de Andrade -

Finally...









...já não era sem tempo !!!

Are you nobody, too?

I'm nobody! Who are you?
Are you nobody, too?
Then there's a pair of us -don't tell!
They'd banish us, you know.

How dreary to be somebody!
How public, like a frog
To tell your name the livelong day
To an admiring bog!


- Emily Dickinson -