23 de agosto de 2007

Sinto que tocamos o horizonte no limiar de um abraço...

Sinto que podia escrever o mar sobre os nossos passos.
Sinto (desde o céu) este aguaceiro que descreve
um poema nos nossos corpos molhados.
Talvez a calçada suba demais para nós e o tempo não espere
pelos nossos dias felizes.
A tua mão agarra com força a minha e não deixa que este plano
escorrogadio me puxe para longe.
Estamos sós.
Estamos juntos. As nossas almas tocam-se no princípio e no fim,
onde começa e nunca mais acaba este amor que nasceu antes
de ti e de mim.
Sinto que tocamos o horizonte no limiar de um abraço,
no sabor de um beijo.
Trazemos os bolsos cheios de vontade de percorrer as ruas virgens
de sonho e de ódio. Somos a praia num dia de Verão - a minha luz
alimenta o teu corpo e o meu mar arrasta a tua areia para os confins
do meu coração, até onde ninguém havia antes chegado, até onde
eu acabo e tu começas - dentro de mim, dentro de nós.
Sinto que estás em todos os cantos do meu corpo.
Sinto-me estremecer no teu calor.
Sinto o nosso amor no meu coração.

- Beatriz Reina -

21 de agosto de 2007

Não fui eu que disse...mas poderia muito bem ter sido! (14)



" Só o Verão vale a pena ser vivido... "

- Rilke -

Brasil (14)

ANA CAROLINA E SEU JORGE - É ISSO AI

O mundo de Sophia... (9)

Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento

- Sophia -

12 de agosto de 2007

Happy birthday to me...

Obrigada Patareca, só tu!!! Vídeo via Thumbelina.

Auto - retrato

Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.

- Natália Correia -